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LITERATURA

A coragem de ser diferente

Dance como se ninguém estivesse olhando

11/07/2017 - 18:48
Daniel Felício

Daniel Felício

Aspirante a jornalista, sonhador, amante de literatura e cinema clássicos. Quer conhecer o mundo. Ama ler e escrever. Seu humor ácido e sarcástico é um dos pontos fortes de sua personalidade excêntrica.

  • The fear

    Foto: The Fear/Reprodução

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    Foto: Pixabay

Segunda-feira. 22h. Chego em casa após um dia de trabalho e um pequeno happy hour com os amigos. Estou mexendo no celular quando me deparo com uma postagem em um grupo famoso na internet. Uma guria pergunta “Só eu que acho lindo gente que não tá nem aí e dança como quer? Ou vocês acham que estão passando vergonha?” seguido de um vídeo com um cara dançando freneticamente.

Na maioria das respostas, as pessoas diziam achar lindo e divertido dançar como quisessem, mas que também tinham vergonha de alguém ficar olhando e julgando. Isso me fez lembrar de quando eu estava em um show do tributo do Red Hot Chilli Peppers com uns amigos alguns meses atrás. Sempre que a banda tocava alguma música que eu gostasse muito, eu entrava em sintonia com a melodia. Sabe aquela música que começa a tocar e invade o seu ser como se tivesse sido escrita apenas pra você e mais ninguém? É claro que sabe. Aposto que todo mudo tem uma música assim. Só eu devo ter umas cem.

E se tem uma coisa que eu ouvi bastante nestes meus 22 anos de vida, foram pessoas falando “Nossa, você é muito esquisito”, “Você é muito louco, cara”, “Parece que você saiu de um filme”. Na noite daquele show, as pessoas realmente estavam olhando e me julgando. Ou melhor: me filmando.  Eu também acharia muito legal ver um cara com trajes cuspidos pelos anos 90 viajando ao som de guitarras distorcidas.

“Olha como ele balança a cabeça”, “Esse daí deve tá muito louco na droga”, “Será que esse rapaz não consegue ficar parado só cantando e aproveitando o show como todas as pessoas normais aqui?”. Imagino que estas eram alguns dos comentários feitos dentro da rodinha de amigos com suas garrafas de cerveja enquanto ficavam lá paradas como um poste.

No dia seguinte ao show, eu soube que tinha um vídeo meu rolando pelo WhatsApp com a legenda de que eu estava possuído por alguma força sobrenatural. Eu ri muito. Era domingo de manhã e eu ainda estava deitado na cama quando recebi o vídeo de uma amiga da faculdade.

E para falar a verdade, eu estava mesmo possuído. Estava possesso pelo espirito da liberdade. Uma força muito grande estava me fazendo dançar como se ninguém estivesse olhando. Estava em êxtase por, naquele momento, eu ser infinito. Eu estava tão bem.

O importante é que cada um vive a vida do jeito que quer. Você é livre para isso. Se você acha que vai encontrar sua felicidade no coletivo, no modismo, no mainstream, então faça isso. É um direito seu. Pessoalmente, eu não acredito que você esteja certo. Mas também não posso afirmar que esteja errado, já que a felicidade não tem uma receita a ser seguida.

Só não saia por aí tachando de “loucos” aqueles que são verdadeiramente normais, que têm coragem de ser diferentes e seguir o próprio caminho. Loucura mesmo é se deixar levar pelo rebanho sem questionar o percurso.

E para os corajosos que têm peito para ser diferente, continuem assim. É bom demais. Nem sempre é fácil e muitas vezes podemos nos sentir sozinhos, mas jamais ouse mudar. É isso o que te torna uma pessoa singular no meio de tanta gente. Triste mesmo é ter perdido essa capacidade e viver na mesmice.