“Todo o esforço que nós tivemos para divulgar os danos do tabaco à saúde das pessoas, com parcerias com a mídia e o envolvimento de lideranças da sociedade, ajudou a consolidar no país o consenso [sobre o assunto]. É fundamental construir um consenso no imaginário das nossas populações, sobretudo na rural, do quão danoso é participar da cultura do tabaco em qualquer momento da atividade produtiva. Sem ele [o consenso], vamos ter dificuldade de avançar no conjunto de políticas que possa estimular a diversificação”, disse.
O seminário ocorre a cerca de um mês da Conferência das Partes (COP 5) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde, marcada para novembro, na Coreia do Sul. O Brasil é signatário do documento que, entre outras coisas, prevê o apoio a alternativas economicamente viáveis aos agricultores de tabaco.
Mesmo sem dar mais detalhes de como seria construído esse consenso, Padilha destacou que é preciso desenvolver ações que envolvam vários setores da sociedade para garantir resultados semelhantes aos conquistados com as campanhas de combate ao fumo. O ministro lembrou que desde o fim da década de 1990 o número de fumantes no país caiu de 35% da população para 15%.
Segundo especialistas, produtores que trabalham no cultivo do tabaco estão sujeitos a diversos riscos, entre eles o de intoxicação por nicotina e agrotóxicos.
Durante o evento, o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Pepe Vargas, declarou que o principal gargalo para que produtores de fumo diversifiquem sua atividade é a rentabilidade superior à gerada por outras culturas. Segundo dados apresentados por ele, a renda obtida por hectare cultivado com o cultivo do tabaco pode ser de seis a oito vezes maior do que com milho e quatro vezes maior do que a gerada pela produção de leite.
Entre as medidas que o governo vem implementando para apoiar o processo de transição e tornar mais atrativas outras atividades na terra, o ministro citou o programa de crédito subsidiado, que garante taxas de juros mais baixas aos produtores que não cultivem o fumo.
“Também há programas de assistência técnica e apoio à comercialização, mas enquanto houver gente fumando, vai ter gente plantando fumo”, disse, destacando que o Brasil é um dos poucos países que têm política de apoio à diversificação produtiva em áreas de fumicultura.
De acordo com dados do MDA, existem cerca de 200 mil famílias de agricultores envolvidas com a produção de fumo, concentradas principalmente na Região Sul.
Da Agência Brasil
GERAL
Ministro da Saúde defende maior divulgação dos danos causados pelo cultivo do tabaco à saúde do trabalhador rural
O Brasil quer tornar mais conhecidos pela população, principalmente a rural, os danos causados pela lavoura do tabaco à saúde dos trabalhadores envolvidos no seu cultivo e ao meio ambiente. Mas, sem medidas específicas de divulgação, será difícil avançar no processo de diversificação das áreas onde o tabaco é cultivado.
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