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A agenda de 2011

Findando o mês de outubro, com seu ápice no dia 31, convido o leitor para uma reflexão sobre o que foi este ano para a política e esboço alguns eixos de reflexão.

25/10/2010 - 07:01


Dois mil e dez foi um ano bastante significativo para a política nacional pois  tivemos duas mulheres concorrendo à Presidência da República, fato inédito e importante porque sinal do nosso amadurecimento político, tendo em vista que ainda que a lei estabeleça um número mínimo de candidaturas femininas, não há proporção entre candidatas e eleitas (no que se refere ao legislativo).Ainda que boa parte da percentagem de Dilma Roussef nas pesquisas deva ser creditada ao governo Lula e não à questão de gênero, é significativo que uma mulher foi escolhida por um dos presidentes mais populares do país para candidata a sua sucessora.

Há também o fenômeno Marina que mostrou uma insatisfação de significativos vinte por cento do eleitorado com as posições dominantes na política nacional nos últimos dezesseis anos.

Por outro lado, é significativo também que as posições dominantes na política nacional não sejam radicalmente diferentes e que, assim como a estabilidade financeira se tornou consenso ao final do governo FHC, me parece haver também consenso de que não apenas esta diretriz, mas a distribuição de renda e o desenvolvimento devam ser os tópicos principais de nossa agenda política.

Alcançamos uma boa estabilidade política, e ela é um pilar fundamental para que os avanços sociais e econômicos possam ser conquistados na medida em que nos coloca em posição de destaque na América Latina e frente aos BRIC possibilitando o aporte de recursos e servindo como garantia aos investidores.

Entretanto, observando as duas campanhas presidenciais, fazem-se necessários alguns questionamentos com vistas a estimular uma reflexão melhor ante o que está sendo proposto e ante os desafios que se colocam para nós.

Observando a propaganda eleitoral obrigatória, é possível perceber que as duas candidaturas propõem maciços investimentos em infra-estrutura, que é um ponto fraco de nossa economia. Mas, a quem fará os investimentos? O setor público ou o setor privado?Ou uma parceria entre ambos? Garantida e financiada como e por quem? Retomando um ponto colocado na coluna anterior a respeito do debate político no horário eleitoral, seria interessante que as duas candidaturas discutissem mais abertamente suas posições esclarecendo a maioria da população contribuindo para que a discussão a respeito disto fosse mais aprofundada.

Fala-se também em educação e saúde de qualidade, mas nada se diz a respeito de com quais parâmetros esta será auferida, empobrecendo o debate e novamente se perdendo uma grande chance de esclarecer e debater com a população o que já é feito e o que cada um propõe para auferir e melhorar a qualidade destas áreas.

Por outro lado, entende-se que os regimes democráticos modernos são aqueles onde não há apenas há estabilidade no jogo político-eleitoral, justiça social e o desfrutar de um bom nível sócio-econômico. As relações inter e intra-institucionais, a forma como o Estado opera também são importantes. Volto a insistir que temas importantes, como a reforma política, a reforma tributária e a política externa ainda não foram abordados. Talvez isto tenha ocorrido em foros muito exclusivos de apresentação de propostas. Será que isto muda a partir do dia 31?

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