É preciso com urgência entender que este tempo já passou. Somos hoje os maiores produtores de carnes do mundo, no entanto, teremos que evoluir ainda mais na produção de grãos e, não é uma necessidade somente interna, isto é, a concorrência pela soja, milho e – acreditem - o trigo brasileiro deve crescer de forma geométrica num curto prazo. Um bom termômetro desta nova realidade são os resultados das exportações do Paraná, divulgadas na última semana pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI), órgão ligado ao MAPA, que aponta um crescimento nos valores das exportações do setor Agropecuário de 35% no primeiro semestre de 2011, comparando-se com igual período de 2010. Os grãos foram destaques com crescimento de 107%, 54% e 42%, respectivamente para trigo, milho e complexo soja.
Segundo posição do G20 - Grupo das vinte maiores economias do mundo - que estiveram reunidos em Paris nos dias 22 e 23 de junho, existe uma crise mundial caracterizada pela falta de alimentos, face a um consumo crescente e surpreendente dos “novos ricos”- China, Índia, Leste europeu, África e claro, o Brasil -, que exige um posicionamento estratégico de todas nações produtoras e consumidoras, lideradas pela FAO – órgão das Nações Unidas que cuida de temas ligados à Agricultura e alimentação – para que todas as informações sobre produção e mercado agrícola sejam as mais confiáveis possíveis, evitando com isto especulações excessivas, que representam custos ainda maiores em momento de escassez.
Levando em consideração a reflexão acima, são grandes as preocupações. O fato positivo é que o setor “primário” do Agronegócio começa a deixar de lado aquela imagem de patinho feio do complexo produtivo da economia, ou seja, está começando a entrar do grupo seleto de commodities com grande valor. Até que enfim.
Nunca foi tão vital produzir grãos
Estamos acostumados a ouvir que a produção de grãos está relacionada ao que tem de mais básico na cadeia do Agronegócio e, por isto, é a atividade menos valorizada. Realmente, este tem sido um fato facilmente percebido ao longo da história. E foi assim que se desenvolveram as agroindústrias, especialmente na região oeste do Paraná. A partir da década de 1980, ainda no século passado, ou seja, tendo sempre à disposição uma matéria-prima quase sempre com preço de “ocasião”, face a um cenário caracterizado por ofertas abundantes – lógico, tem relação também com incorporação de novas tecnologias e, conseqüente, aumento de produtividade -, demonstrando, sobretudo, o empenho dos agricultores.
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