Após um mês de alívio, o custo da cesta básica voltou a subir em Toledo no mês de dezembro de 2025, pressionando novamente o orçamento das famílias de menor renda. Segundo levantamento do Núcleo de Desenvolvimento Regional (NDR) da Unioeste, o valor da cesta básica individual aumentou 1,25% entre novembro e dezembro, passando de R$ 629,23 para R$ 637,07.
O avanço interrompe uma sequência recente de quedas e reforça a volatilidade dos preços dos alimentos ao longo de 2025. No acumulado do ano — que coincide com os últimos 12 meses — a cesta básica em Toledo ficou 1,69% mais cara, resultado considerado moderado quando comparado a outros períodos, mas ainda significativo para quem depende do salário mínimo.
Alimentos básicos puxam a alta
O aumento de dezembro foi impulsionado principalmente por itens essenciais da alimentação cotidiana. O pão francês registrou alta de 7,62% e teve o maior impacto individual sobre o índice, seguido pelo tomate, que subiu 9,07% no mês. Também apresentaram elevação relevante o feijão (7,81%) e a margarina (5,37%).
De acordo com a análise do relatório, fatores sazonais explicam parte desse movimento. No caso do tomate, o fim da safra de inverno e a transição para a safra de verão reduziram a oferta. Já o feijão sofreu impacto da menor disponibilidade da nova safra. Esses aumentos foram parcialmente compensados por quedas em produtos como leite (-4,45%), carne (-0,95%) e arroz (-0,75%), o que impediu uma elevação ainda maior do custo total da cesta.
Poder de compra segue pressionado
Mesmo com variação anual relativamente contida, o custo absoluto da cesta básica segue elevado em relação à renda do trabalhador. Em dezembro, um trabalhador que recebe um salário mínimo líquido precisou comprometer 45,37% da sua remuneração apenas para adquirir a cesta básica individual. Em termos práticos, isso equivale a mais de 92 horas de trabalho mensal dedicadas exclusivamente à compra de alimentos básicos.
A situação é ainda mais crítica quando se considera a cesta básica familiar, calculada para uma família padrão de quatro pessoas. Em dezembro, o custo chegou a R$ 1.911,20, valor 36,11% superior ao salário mínimo líquido vigente. Isso significa que, mesmo destinando toda a renda à alimentação, o trabalhador não conseguiria cobrir as demais despesas essenciais, como moradia, transporte e vestuário.
Salário mínimo necessário expõe defasagem estrutural
O estudo também estima o salário mínimo necessário para atender às necessidades básicas de uma família, conforme metodologia do Dieese. Em Toledo, esse valor foi calculado em R$ 5.352,01 em dezembro de 2025 — o equivalente a 3,53 vezes o salário mínimo oficial. Embora inferior à média nacional, estimada em R$ 7.106,83, o dado evidencia a defasagem estrutural entre o piso salarial e o custo real de vida.
Toledo acompanha tendência nacional
Na comparação com outras cidades, Toledo apresentou um custo de cesta básica inferior ao de capitais como São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre, mas superior ao de municípios como Recife e Francisco Beltrão. Entre dezembro, a maioria das localidades brasileiras também registrou aumento nos preços, alinhando Toledo à tendência nacional observada pelo Dieese.
Esse movimento ocorre em um contexto de inflação geral controlada. O IPCA de dezembro ficou em 0,33%, acumulando 4,26% em 12 meses, dentro da meta oficial. No entanto, a inflação dos alimentos tende a ter impacto social mais severo, pois afeta de forma desproporcional as famílias de menor renda, que destinam parcela significativa do orçamento à alimentação.
Alerta permanente
Com 57 meses consecutivos de levantamento, a pesquisa da cesta básica de Toledo se consolida como um importante instrumento de monitoramento do custo de vida local. Os dados de dezembro reforçam que, embora não haja uma escalada inflacionária expressiva, a combinação de preços voláteis e renda insuficiente mantém a população mais vulnerável em situação de permanente pressão econômica.
Mais do que oscilações pontuais, o estudo evidencia um problema estrutural: a distância persistente entre o rendimento do trabalho e o custo mínimo para garantir condições dignas de vida.




