O Ministério da Saúde publicou uma nova Nota Técnica que redefine o período de isolamento recomendado para pessoas com Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O documento atualiza diretrizes previamente vigentes e busca padronizar orientações para profissionais de saúde e para a população em geral, considerando o cenário atual dos vírus respiratórios no Brasil.
A Nota Técnica nº 5/2026, assinada pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, leva em conta evidências científicas recentes que mostram que o período de maior transmissibilidade de vírus como o SARS-CoV‑2 ocorre nos primeiros dias após o início dos sintomas. Com isso, o Ministério revisa prazos, amplia explicações sobre o diagnóstico sindrômico e destaca a importância de manter medidas de prevenção mesmo após o fim do isolamento.
Isolamento agora varia conforme o quadro clínico
O documento estabelece novos prazos de isolamento de acordo com a gravidade da doença, a presença de sintomas e a condição imunológica da pessoa.
Para casos de Síndrome Gripal em indivíduos não imunossuprimidos, o isolamento recomendado passa a ser de 5 dias, contados a partir do início dos sintomas. A liberação só deve ocorrer se a pessoa estiver sem febre por 24 horas e apresentar melhora respiratória. A nota reforça que não é necessário teste para encerrar o isolamento quando houver suspeita ou confirmação de infecção por SARS-CoV‑2.
Já pessoas assintomáticas com teste positivo para o vírus devem permanecer isoladas por 5 dias após a data do exame. Também não há exigência de novo teste para suspensão.
Para pessoas imunocomprometidas com Síndrome Gripal, o período é maior: 10 dias de isolamento e ausência de febre por pelo menos 48 horas. Testes laboratoriais podem ser utilizados como apoio, a critério médico.
Nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave causada por SARS-CoV‑2, o isolamento recomendado é de 20 dias. Quando a SRAG é provocada por outros vírus respiratórios, especialmente entre pacientes hospitalizados, o período deve ser definido individualmente conforme a gravidade e os resultados de exames.
Medidas adicionais continuam essenciais
Mesmo após o fim do isolamento, a Nota Técnica orienta que medidas extras de proteção sejam adotadas até o décimo dia — ou até o vigésimo, no caso de imunossuprimidos. Entre elas:
- uso contínuo de máscara cirúrgica ou PFF2/N95,
- evitar contato com pessoas de grupos de risco,
- evitar aglomerações e locais fechados,
- manter distância mínima de um metro de outras pessoas ao retirar a máscara.
Contatos assintomáticos de pessoas com SG não precisam cumprir quarentena, mas devem reforçar cuidados por 10 dias, como uso de máscaras e automonitoramento de sintomas.
Por que as regras mudaram?
Segundo o Ministério da Saúde, estudos recentes mostram que variantes do SARS‑CoV‑2, como as mais recentes da linhagem Ômicron, apresentam períodos de incubação e transmissão mais curtos. Isso permite reduzir o tempo de isolamento sem comprometer a proteção coletiva, desde que as medidas adicionais sejam mantidas.
O documento destaca que, embora a COVID‑19 já não seja considerada Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, o vírus continua circulando e exigindo vigilância. A abordagem sindrômica — que leva em conta sinais e sintomas comuns a diversos vírus — busca tornar mais ágeis e uniformes as recomendações em saúde pública.
Importância das medidas não farmacológicas
A Nota Técnica reforça ações amplamente conhecidas, mas ainda fundamentais:
- uso de máscaras por pessoas com sintomas,
- etiqueta respiratória,
- higienização das mãos,
- ventilação natural de ambientes,
- limpeza de superfícies de uso comum.
Essas orientações complementam a vacinação contra COVID‑19, influenza e vírus sincicial respiratório (VSR).
O que muda para a população
Com as novas orientações, pessoas com sintomas gripais têm agora diretrizes mais claras sobre quanto tempo devem permanecer isoladas e como agir após esse período. Para o Ministério da Saúde, isso contribui para reduzir a transmissão comunitária de vírus respiratórios e apoia condutas mais uniformes em serviços de saúde.
A Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente informa que continuará monitorando o cenário epidemiológico no país e poderá atualizar novamente as recomendações à medida que surgirem novas evidências científicas.




