O custo da cesta básica de alimentos em Toledo (PR) registrou um aumento expressivo no último período analisado. De acordo com o relatório referente a março de 2026, elaborado pelo Núcleo de Desenvolvimento Regional da Unioeste, o conjunto de 13 alimentos essenciais apresentou reajuste de 8,19% em relação a fevereiro. Esse avanço foi determinante para ampliar o comprometimento do salário-mínimo líquido e aumentar o tempo de trabalho necessário para aquisição dos itens.
Reajuste da cesta impulsionado por alta de hortifrutis
O relatório identifica que o reajuste da cesta básica no mês foi diretamente influenciado pelo comportamento dos preços de produtos sensíveis a condições climáticas. Os destaques foram:
Tomate: alta de 40,53%
Batata: aumento de 37,84%
Tomate: alta de 40,53%
Batata: aumento de 37,84%
Essas variações exerceram impacto significativo sobre a elevação do custo total da cesta. Entre os 13 produtos que compõem o cálculo, outros itens também registraram acréscimos, como banana (8,93%), arroz (6,68%) e pão francês (4,15%).
Por outro lado, alguns alimentos apresentaram queda, como a farinha de trigo (-9,16%), o café (-2,89%), o óleo de soja (-1,17%) e a margarina (-0,28%). Mesmo assim, as reduções não foram suficientes para conter a pressão inflacionária do grupo.
Cesta individual chega a R$ 672,28; horas de trabalho necessárias aumentam
Com o reajuste, o valor da cesta básica individual atingiu R$ 672,28 em março. Esse montante corresponde a 44,84% do salário-mínimo líquido vigente no período, estimado em R$ 1.499,43 após desconto previdenciário.
O tempo de trabalho necessário para adquirir a cesta também subiu:
91 horas e 15 minutos foram exigidas em março, frente às 84 horas e 20 minutos registradas em fevereiro.
Para uma família de referência (composta por quatro pessoas equivalentes, conforme metodologia Dieese), o custo da cesta atingiu R$ 2.016,83.
Movimento acumulado mostra queda em 12 meses, apesar do salto recente
Apesar do forte aumento observado entre fevereiro e março, o relatório aponta que, no acumulado dos últimos 12 meses (abril/2025 a março/2026), o custo da cesta básica registrou queda de -3,64%.
Ainda assim, no acumulado do ano (jan.–mar./2026), já se observa alta de 2,60%, indicando inversão da trajetória de redução verificada em parte de 2025.
Comparação com outras cidades e indicadores nacionais
Entre os municípios e capitais monitorados, Toledo registrou variação superior à de centros como Curitiba (4,78%) e São Paulo (5,13%). Ainda assim, o valor absoluto da cesta na cidade permanece inferior ao verificado em capitais como Porto Alegre (R$ 855,10) e Florianópolis (R$ 812,22).
O documento também relaciona o comportamento local à inflação nacional. Em março, o IPCA variou 0,88%, impulsionado pelos grupos transportes e alimentação e bebidas, enquanto o Índice de Preços Regional do Paraná (IPR) registrou aumento de 2,54% para alimentos e bebidas—ambos alinhados ao movimento observado em Toledo.
Salário-mínimo necessário supera R$ 5,6 mil
Com base no método do Dieese, que considera que a alimentação representa 35,71% das despesas totais, o salário-mínimo necessário para atender às necessidades básicas de uma família em Toledo deveria ser de R$ 5.647,83 em março. Esse valor é superior ao salário mínimo necessário calculado nacionalmente para o mesmo período (R$ 7.164,94), mas segue distante do salário vigente.




