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AMBIENTE

Nova tecnologia social apoia cidades do Paraná na prevenção de desastres e na gestão ambiental

Estudo de pós-doutoramento transforma a CBST em um instrumento aplicado ao dia a dia de gestores, facilitando decisões baseadas em evidências

29/04/2026 - 21:29
Por Redação - Selma Becker


A ferramenta foi desenvolvida pelo professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Gustavo Biasoli Alves no âmbito da sua pesquisa de Pós-doutoramento, junto ao NAPI Emergência Climática. A pesquisa contou com a supervisão do Professor Doutor, Francisco de Assis Mendonça (UFPR) e da Professora Doutora, Irene Carniatto (Unioeste).

A pesquisa foi uma ampliação da Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST) para ajudar municípios do Paraná a enfrentar riscos ambientais crescentes. A Cesta é uma metodologia voltada principalmente para mapear aspectos sociais, econômicos e institucionais de um território. Funciona como uma espécie de “raio-x” que organiza informações sobre infraestrutura, serviços públicos, modos de vida, uso do solo e condições socioeconômicas.

Esse modelo auxilia governos e organizações a entender o que o território oferece, quais recursos possui e quais fragilidades precisam ser enfrentadas.

A inovação do pós-doutorado foi integrar critérios ambientais objetivos a essa estrutura, permitindo visualizar também: áreas vulneráveis, capacidade de resposta municipal, pressões sobre água, solo, vegetação e resíduos, bem como possíveis impactos de eventos climáticos extremos.

“Adaptar a Cesta significou trazer o meio ambiente para o centro da análise territorial, permitindo que gestores compreendam melhor onde agir e por quê”, afirma Gustavo Biasoli Alves.

Metodologia robusta e diagnóstico aprofundado

Para desenvolver a adaptação, o pesquisador combinou análise qualitativa, ferramentas de gestão e softwares avançados. A coleta de informações utilizou a técnica Snowball, envolvendo atores-chave de cada município. As evidências foram organizadas no MAXQDA, e as avaliações seguiram matrizes estratégicas como SWOT (FOFA) e SMART.

O diagnóstico revelou desafios como o manejo inadequado de resíduos sólidos, pressão sobre recursos hídricos, ocupação de áreas de risco, falta de integração entre municípios, desigualdades na capacidade técnica e de investimento.

“Quando traduzimos dados complexos em critérios claros, criamos instrumentos para tomada de decisão de maneira objetiva”, explica o pesquisador.

Impacto direto na governança climática

Com a CBST ampliada, municípios passam a contar com uma matriz que torna decisões mais técnicas e menos subjetivas. “A ferramenta dá fundamento para escolhas governamentais e fortalece a transparência, porque permite visualizar as razões por trás de cada ação”, destaca o pesquisador.

Para Biasoli Alves a adaptação também promove justiça territorial. “Quando todos os municípios usam os mesmos critérios, conseguimos reduzir desigualdades e ampliar a cooperação entre cidades com desafios semelhantes”, afirma.

O modelo aprimorado favorece a priorização de investimentos, elaboração de políticas de adaptação climática, participação social qualificada, monitoramento contínuo por indicadores verificáveis.

Relevância para o futuro das cidades

Com eventos climáticos extremos se tornando mais frequentes, a necessidade de ferramentas integradas, que unam meio ambiente, território, sociedade e governança é urgente. A CBST ampliada atende justamente a essa lacuna, oferecendo um caminho metodológico robusto e replicável.

O estudo também contribui para áreas como urbanismo sustentável, planejamento territorial e gestão de riscos, reforçando o papel da ciência aplicada na formulação de políticas públicas.

Próximos passos

A pesquisa teve foco nas cidades de Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Paranaguá.

O pesquisador planeja expandir a aplicação da metodologia para outros municípios e colaborar com órgãos estaduais para incorporar a CBST adaptada em programas de planejamento territorial e ambiental. “A ideia agora é transformar essa abordagem em uma referência para gestores públicos, ajudando cidades a ficarem mais preparadas para os desafios climáticos que já estamos enfrentando”, conclui Gustavo Biasoli Alves.

 

Arte selma