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COOPERATIVISMO

Sicredi Progresso chega aos 45 anos com crescimento, proximidade e impacto social

Cooperativa reúne aproximadamente R$ 4 bilhões em patroimônio, R$ 2,6 bilhões em crédito disponibilizado, 88 mil associados, 25 agências e 450 colaboradores, mantendo atuação baseada em gestão profissional, transparência e compromisso com o desenvolvimento dos territórios

05/08/2026 - 15:14
Por Selma Becker


O cooperativismo de crédito representa uma alternativa ao modelo financeiro tradicional, com atuação relacionada à cidadania, ao desenvolvimento dos territórios e à melhoria da vida das pessoas. É nesse contexto que a Sicredi Progresso PR/SP chega aos 45 anos de história, com crescimento do patrimônio, ampliação da carteira de crédito e manutenção de uma estrutura baseada na proximidade com a comunidade, no profissionalismo, na transparência e na responsabilidade social.

Até junho deste ano, a Sicredi Progresso acumulava aproximadamente R$ 4 bilhões em ativos. A carteira de crédito, que representa os investimentos realizados no território por meio dos associados, passou de R$ 353 milhões, em 2016, para R$ 2,6 bilhões, em 2026, um crescimento de 663%.

A cooperativa reúne atualmente 88 mil associados, 25 agências e 450 colaboradores. Esse crescimento está apoiado em um tripé formado por gestão profissional, controle social, com atuação de organizações fiscalizatórias, e transparência.

Para o presidente da Sicredi Progresso PR/SP, Inácio Catani, os resultados representam uma conquista e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. “É uma responsabilidade muito grande. Ao mesmo tempo, temos muita paixão pelo que fazemos. Somos uma cooperativa de crédito focada no associado, na proximidade com a comunidade, por isso somos fortes e essa é nossa marca: proximidade e relacionamento estratégico.”

Proximidade como marca do cooperativismo

A cooperativa mantém os princípios e os valores do cooperativismo. “Somos muito próximos da comunidade e gostamos de estar presentes. Se quiséssemos ser apenas uma instituição financeira, não teríamos essa intensidade nem estaríamos aqui, neste momento, dialogando com vocês. Somos uma instituição que tem a comunidade em sua essência e cujos associados são os proprietários. A presença na comunidade, por meio das ações do dia a dia, é algo que não podemos interromper”, afirma Catani.

A relação próxima também é apontada como um diferencial diante do sistema financeiro tradicional. Uma pesquisa realizada pelo Banco Central identificou que, nas comunidades onde existe cooperativismo de crédito, as taxas praticadas tendem a ser menores.

“Esse é um dos nossos grandes objetivos: vencer sendo simples, confiantes e profissionais naquilo que fazemos”, destacou Catani.

Impacto social dos programas

Para o diretor executivo da Sicredi Progresso PR/SP, João Augusto da Rocha, a dimensão da cooperativa não se limita aos números financeiros. O impacto social dos programas desenvolvidos nas comunidades também representa parte importante dos resultados alcançados.

“Só na nossa carteira de crédito, o que disponibilizamos para investimento dos nossos associados, entre 2016 e 2026 crescemos 663%, mas, muito além desses resultados, temos o impacto com nossos programas sociais, como A União Faz a Vida, Cooperativas Escolares e Finanças na Mochila, nos quais mais de 15 mil crianças passaram por esses programas.”

As iniciativas aproximam o cooperativismo das novas gerações e trabalham temas relacionados à educação, à cooperação, à cidadania e à educação financeira. Dessa forma, a atuação da cooperativa busca contribuir para o desenvolvimento das pessoas e dos territórios onde está presente.

Cooperativismo com raízes e participação

Presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ, diretor do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu) e da Fundação Woccu, Manfred Dasenbrock afirma que o crescimento das cooperativas não deve significar o abandono de sua essência.

“A cooperativa não está no mercado para se transformar em banco. O movimento cooperativo tem raízes e, se cuidarmos delas, poderemos ir ainda mais longe. A comunidade é quem vai determinar o tamanho e a relevância que teremos. Eu acredito que podemos ultrapassar esse cenário com tranquilidade, porque outras cooperativas, mesmo enfrentando crises, guerras e diferentes dificuldades, conseguiram permanecer firmes. Estamos vivendo um bom momento e precisamos fortalecer essas raízes. Tenho essa convicção.”

Na avaliação de Dasenbrock, o cooperativismo de crédito atua de forma diferente do sistema financeiro tradicional porque mantém uma relação direta com os associados e com as comunidades. Enquanto os bancos estão voltados à geração de resultados para seus acionistas, o cooperativismo de crédito busca construir uma rede de proteção e sustentabilidade para o próprio sistema e para os territórios onde atua.

Atuação internacional e regulatória

O movimento cooperativista mundial reúne aproximadamente 1 bilhão de pessoas. O Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu) e a Fundação Woccu atuam na defesa do movimento cooperativista e acompanham as discussões relacionadas aos sistemas financeiros.

Em alguns países, as cooperativas passaram a enfrentar pressões para se transformar em bancos. “Na Itália, por exemplo, se uma instituição atingir um patamar de patrimônio, já estaria discutindo como converter seu capital em ações e se transformar em banco. Em outros países, ocorre algo semelhante”, explica Dasenbrock.

O cooperativismo de crédito brasileiro é uma referência internacional por seu arcabouço legal e pela articulação construída junto às instituições reguladoras. A estratégia inclui a participação nos espaços onde são elaboradas as regras do sistema financeiro mundial.

“Precisamos estar presentes nos espaços onde são elaboradas as regras do sistema financeiro internacional. Um desses espaços é Basileia, na Suíça, onde são discutidas normas de regulação do sistema financeiro mundial. O chamado Acordo de Basileia estabelece parâmetros importantes para essa regulação”, defende Dasenbrock.

Segundo ele, os principais centros de influência do sistema financeiro internacional são o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu. China e Japão também têm peso nas decisões, mas os dois organismos exercem grande influência na regulação financeira mundial.

“Nós estamos presentes nesses espaços por meio de técnicos, advogados e profissionais capazes de influenciar os debates. Da mesma forma que, no Brasil, participamos tecnicamente da elaboração de resoluções e normas junto ao Banco Central, também buscamos atuar internacionalmente”, detalha Dasenbrock.

Transparência, controle social e sustentabilidade

A manutenção do sistema cooperativista de crédito depende de regras, regulamentos e estatutos capazes de impedir a concentração do controle de uma cooperativa nas mãos de uma única pessoa ou de um pequeno grupo.

A transparência é um dos elementos que asseguram a confiança dos associados e oferecem segurança aos órgãos reguladores. “Quando o regulador observa que o movimento é transparente, percebe que ele merece respeito e precisa ser preservado”, pontua Dasenbrock.

O dirigente também relaciona o cooperativismo à cidadania, à inclusão financeira e à sustentabilidade. “Não queremos apenas facilidade para a recuperação financeira. Queremos que as pessoas tenham acesso às finanças e que as cooperativas atuem de forma sustentável.”

O modelo cooperativista envolve ainda obrigações relacionadas à prestação de contas. “Precisamos prestar contas, inclusive sobre as ações de sustentabilidade. O diretor da central é responsável por essa área e deve apresentar relatórios periódicos sobre o que está sendo realizado. O mesmo ocorre com outras estruturas do sistema, que precisam indicar responsáveis por suas ações e prestar contas.”

Na educação financeira, a atuação também ultrapassa as exigências formais. “Fazemos muito mais do que a obrigação exige, porque acreditamos nesse trabalho e entendemos que ele faz parte do nosso dever.”

Experiências do cooperativismo no mundo

A realidade do cooperativismo de crédito varia entre os países. Na Coreia do Sul, há experiências semelhantes às brasileiras. O México passa por um processo de reorganização, enquanto o Canadá possui uma estrutura diferente em razão do tamanho e da concentração de capital. A Inglaterra também está se reorganizando. A Polônia apresenta um movimento relevante, e os sistemas da Alemanha, da Itália e da França são mais antigos e robustos.

Para Dasenbrock, apesar dos aprendizados positivos, o capital exerce forte pressão sobre as instituições. “Ele faz contas e avalia os custos. Uma agência bancária no interior pode ser fechada porque, sob a ótica financeira, uma única pessoa não consegue compensar o custo de manter toda aquela estrutura. Nós tentamos aproveitar esse movimento para manter a presença nas comunidades. A agência não é apenas um local para depósitos ou para a realização de operações financeiras. Ela tem uma função comunitária.”

O fortalecimento do modelo de gestão cooperativa também depende de representatividade no Parlamento e nos demais espaços de decisão. A atuação internacional inclui a presença no Parlamento Europeu, em Bruxelas, e a manutenção do diálogo com as instituições responsáveis pela regulação financeira.

Ao completar 45 anos, a Sicredi Progresso PR/SP reafirma uma trajetória baseada em profissionalismo, proximidade com a comunidade, controle social, fiscalização, participação dos associados e transparência na gestão. Esses princípios sustentam o crescimento da cooperativa e sua atuação voltada ao desenvolvimento das pessoas e dos territórios.

Arte selma