A Secretaria Municipal de Agricultura e Proteína Animal realizou, nesta quarta-feira (21), no Auditório Acary Oliveira, anexo ao Paço Municipal, uma reunião para discutir a recolha de carcaças de animais. O encontro reuniu representantes de instituições públicas e privadas ligadas à produção animal, à defesa sanitária e ao processamento de resíduos de origem animal.
A reunião teve como objetivo alinhar informações técnicas e sanitárias sobre a recolha legalizada de carcaças, apresentar métodos de tratamento dentro e fora das propriedades rurais e sensibilizar as integradoras a aderirem ao projeto, em andamento há seis meses. A iniciativa busca ampliar a coleta regular, demonstrar a segurança do procedimento e combater a recolha clandestina, considerada de maior risco sanitário e ambiental devido ao transporte inadequado e à possibilidade de vazamentos.
Participaram representantes da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves), da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), de integradoras, de prefeituras de municípios vizinhos, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do Instituto Água e Terra (IAT) e da Associação Regional de Suinocultores do Oeste (Assuinoeste).
Apoio ao projeto - O secretário de Agricultura e Proteína Animal, Luiz Carlos Bombardelli, destacou a importância da adesão das integradoras para ampliar a recolha legalizada de carcaças. “O que aumenta o risco é a clandestinidade. A ideia é mostrar todos os dados de segurança e biossegurança para que as integradoras possam apoiar o projeto e participar do processo, inclusive com sugestões de melhorias”, ressaltou.
Luiz explicou a diferença entre trabalhar na clandestinidade e na legalidade, destacando os procedimentos de segurança adotados na recolha regular e os riscos do transporte inadequado. “Olha, eu diria que é infinita a diferença. Quando você trabalha legalizado, existe todo um procedimento de segurança. O caminhão passa por testes para verificar possíveis vazamentos e só é liberado se atender aos requisitos. Já na clandestinidade, há fracionamento de animais e vazamento de líquidos nas estradas e entre propriedades, o que expõe toda a atividade a um risco muito alto”, detalhou.
O prefeito Mario Costenaro ressaltou a importância de encontrar soluções conjuntas para a recolha de carcaças, considerando os impactos sanitários e econômicos da atividade e sua relação com o desenvolvimento regional. “É uma situação que precisa ser enfrentada de frente. A gente precisa sair daqui com uma convergência naquilo que seja realmente bom para todos. Quando eu consigo sair da minha posição e sentar na posição do outro, para tentar compreender as razões, é mais fácil encontrar soluções mais convergentes. Isso é pelo desenvolvimento do território de forma sustentável, de uma cadeia que é uma das bases do nosso desenvolvimento”, declarou.
Apresentações técnicas - A reunião contou com exposições de Luana Brandt, representante do departamento técnico da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), que abordou os riscos sanitários e ambientais do manejo inadequado de carcaças, os benefícios econômicos e ambientais da reciclagem animal e os procedimentos necessários para garantir a segurança da recolha legalizada. Na sequência, Lia Coswig, chefe da divisão de sanidade dos suídeos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentou as diretrizes da Instrução Normativa nº 48, de 2019, que regulamenta o recolhimento, o transporte e a destinação de animais mortos e resíduos da produção pecuária, com destaque para os requisitos de segurança sanitária e fiscalização do processo.
O presidente da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), Pedro Bittar, manifestou preocupação com os riscos sanitários e regulatórios relacionados à destinação inadequada de carcaças e defendeu a adoção de procedimentos legalizados. Segundo ele, a reciclagem animal permite transformar os resíduos em produtos como biocombustíveis e biofertilizantes. “A Abra está aqui para mostrar tecnicamente como esse processo deve ser feito da maneira correta. Queremos esclarecer as dúvidas e demonstrar que a recolha legalizada é uma alternativa segura, que beneficia o produtor e contribui para a proteção sanitária de toda a cadeia produtiva”, afirmou.
Luana Brandt destacou que estudos científicos apontam a recolha legalizada de carcaças como uma alternativa segura para a destinação de suínos mortos nas granjas, desde que sejam seguidos os procedimentos adequados. “A recolha permite reduzir a responsabilidade do produtor pela destinação dentro da propriedade, encaminhando as carcaças a estabelecimentos registrados e inspecionados, que transformam esses resíduos em produtos como fertilizantes e biocombustíveis. É uma alternativa que contribui para a sustentabilidade ambiental e para melhores condições de trabalho no campo”, explicou.



