Durante a primeira etapa da formação continuada, Mariana falou sobre a instituição de processos permanentes de educação alimentar e nutricional, pesquisa e formação nas áreas de segurança alimentar e nutricional e do direito humano à alimentação adequada.
A coordenadora Técnica de Educação Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome lembra que a discussão do tema iniciou ainda na década de 90, porém evoluiu a partir de 2000. Ela conta que antes o assunto era pouco abordado pela sociedade, a qual praticava pouco a educação nutricional. Contudo, recentemente, o Ministério passou a receber novas demandas das áreas saúde, educação e assistência social. Mariana explica que estas áreas passaram a perceber a educação alimentar e nutricional como uma estratégia para garantir uma alimentação adequada e saudável para os munícipes. “Atualmente, as políticas estão melhor estruturadas e contínuas. Estas políticas garantem autonomia para o cidadão escolher o que deseja comer, mas tendo consciência da qualidade”.
Outra política com resultado positivo citada por Mariana é o diálogo entre escola e a comunidade. “A educação alimentar é uma atividade de comunicação. A escola ter a mesma linguagem do aluno e refletir sobre a sua alimentação é uma estratégia inicial interessante”.
Com relação a mudança de hábito na alimentação, a profissional declara que o resultado acontece a longo prazo e é mais difícil de observá-lo, porque o hábito surge por vários fatores e não apenas pela conscientização de uma alimentação adequada. “Mais importante do que mudar o hábito é trazer mais reflexão sobre o alimentar-se, a socialização, o processo de alimentação que vem desde produção até quando chega a nossa mesa”.
Mariana destaca que devido esta falta de reflexão do alimentar-se, a equipe do Ministério tem observado que nos últimos 30 anos (sendo maior nos últimos 10) aumentaram o número de crianças obesas ou com sobrepeso e diminuiu o índice de crianças desnutridas. “Isto é um reflexo da nossa cadeia alimentar. O excesso de peso reflete como produzimos, como transportamos, como nos comunicamos, como fazemos a publicidade dos alimentos”.
O nutricionista da Secretaria Municipal de Educação (SMED), Rafael Cristiano Heinrich, acrescenta que o Brasil passou nos últimos anos por uma transição nutricional e fez com que as pessoas de todas as faixas etárias tivessem um aumento nas doenças crônicas geradas pelo sobrepeso, diabetes, hipertesão, entre outros. “Diante disso, decidimos construir uma estratégia para colaborar no combate ao aumento de peso e as doenças relacionadas. Ao final da formação, um manual de ações em educação alimentar e nutricional será elaborado e colocado em prática em 2014 com os professores da rede municipal de ensino”.
A secretária de educação, Tânia Elisete de Grandi, complementa que em termos de política de alimentação escolar, o projeto era um desejo que foi construído nos últimos anos. “Toledo pode sair na frente em termos de política de alimentação escolar. É um processo que se inicia hoje e será avaliado constantemente”.
O prefeito de Toledo, Beto Lunitti, enfatiza que as políticas públicas de governo vão se interlaçar, ou seja, uma ação na educação repercute na saúde (na proposta da saúde preventiva). “Quando se tem medidas para que as pessoas tenham cuidado na alimentação, o Poder Público dá um passo importante na prevenção de doenças. Este é o papel do gestor público: prevenir por meio de uma ação imediata”.
EDUCAÇÃO
Melhorias na educação alimentar das crianças podem trazer benefícios a saúde no futuro, afirma Mariana Kelcias
Buscando implementar a educação nutricional nas escolas da rede municipal de ensino e promover a segurança alimentar, o Município de Toledo - por meio da Secretaria de Educação – promoveu a 1ª formação continuada de educação nutricional para profissionais de Toledo e 28 municípios da região Oeste. A coordenadora Técnica de Educação Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Mariana Kelcias – responsável pela abordagem – explica que a escola é um espaço fundamental para o desenvolvimento da educação alimentar e nutricional do grupo. Ela afirma que alguns estudos apontam a rede de ensino com um espaço de grande potencial por ser o local de formação da criança. “A influência da escola no hábito alimentar é enorme”.
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