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Os rumos da Agricultura Sintrópica no Brasil

Para além da produção de alimentos, a agricultura desenvolvida pelo mestre Ernst Götsch propõe uma reconciliação com a natureza

07/08/2018 - 12:34


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    Crédito: Isabela Baptista

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    Crédito: Isabela Baptista

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    Crédito: Isabela Baptista

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    Crédito: Pablo Regino

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    Crédito: Isabela Baptista

Mais do que técnicas, princípios. Em um mundo dominado pela monocultura a Agricultura Sintrópica é cada vez mais um ato de resistência e um sinal de esperança. Por isso, o Movimento de Agroflorestores de Inclusão Sintrópica (MAIS) - que há dois anos surgiu com a missão de democratizar o acesso a formações de Agrofloresta - reuniu neste fim de semana (4 e 5/08), pioneiros e jovens para discutir uma linguagem comum para a agricultura sintrópica no Brasil. O Primeiro Seminário de Agricultura Sintrópica aconteceu no Sítio Semente, em Brasília-DF.

Na ocasião, o grupo de elite da agricultura sintrópica, que inclui Henrique Souza, Felipe Pasini, Dayana Andrade, Fabiana Peneireiro, Denise  Bittencourt (Potô), Fernando Rabello, Marcio Armando, Patricia Vaz, Osvaldo de Sousa (Osvaldinho), Karin Hanzi, Mauricio Hoffmann, Rômulo Araújo, Juã Pereira e Gudrun Göstch puderam expressar o ponto de vista sobre a situação atual da agricultura sintrópica no país e aprofundar o conhecimento sobre a atuação do MAIS.

O Movimento que já beneficiou mais de 100 agricultores por meio de bolsas de estudo em formações sobre sistemas agroflorestais biodiversos, financiadas com campanhas de arrecadação online, teve a oportunidade de aprofundar as relações com outros grupos importantes. “Nos consolidamos como um movimento capaz de levar este conhecimento para as pessoas com menos acesso à informação e que mais precisam por viverem uma realidade muito adversa”, explicou a integrante, Isabela Baptista.  

Felipe Pasini e Dayana Andrade - que em 2011 criaram a Agenda Göstch para divulgar o trabalho do mestre Ernst Götsch – foram responsáveis pelo Workshop Life in Syntropy (LIS) “Construindo uma linguagem comum para a Agricultura Sintrópica”. Eles abordaram pontos como história das inovações na agricultura; a construção do paradigma agrícola moderno; modelos de sociedade segundo a visão de Ernst Götsch; os diferentes tipos de agricultura; além dos princípios da Agricultura Sintrópica; instrumentalidade; funcionamento; e relacionamento.

Para o integrante do MAIS, Pablo Regino, a apresentação foi fundamental para que todos compreendessem o que de fato Ernst ensina. “Eles trouxeram novos gráficos e desenhos para mostrar isso. O Ernst quer que as pessoas vivam a agricultura sintrópica e entendam seus princípios para depois adaptarem às suas necessidades, e não apenas plantem seguindo modelos”.

Durante o fim de semana, o anfitrião Juã Pereira também fez a apresentação dos sistemas agroflorestais do Sítio Semente aos participantes. Na sequência, um debate acalorado colocou em discussão os rumos da Agricultura Sintrópica no Brasil. “Foi um evento único. Nunca reunimos tantas personalidades da Agrofloresta em um mesmo espaço e acredito que todos aprenderam muito”, contou o coordenador do Seminário e integrante do MAIS, Eric Thompson Lassmann.

Para o presidente do MAIS, Antônio Gomides França, o Seminário mostrou a força da Agricultura Sintrópica ensinada por Ernst Götsch e, principalmente, a união de seus seguidores em prol de um futuro melhor para todos. “Foi a quebra de um paradigma para todo esse movimento que tem atuado durante algumas décadas nesse país. Mostrou que o caminho que pode conduzir a vitória - ou seja, chegar às pessoas e fazer realmente acontecer no campo, deflagrar essa mensagem e conseguir construir novas florestas reestruturando a vida humana na terra, produzindo alimento, biodiversidade e sonhos - só pode ser percorrido se esse movimento estiver unido, dialogando e falando uma língua comum capaz de nos conectar. Juntos podemos encontrar a melhor forma de transferir esse conhecimento para o povo brasileiro, para os agricultores familiares, comunidades tradicionais e também para a academia”.

O grande desafio do movimento a partir de agora é manter o foco e a união para que a metodologia possa ser desenvolvida e disseminada. “As práticas, os princípios e os processos da agricultura sintrópica precisam ser repassados em uma linguagem única para construção de uma nova agricultura, de uma nova sociedade, de um novo ser humano. Que essa geração plante uma transformação para as próximas para que esse mundo seja cada vez mais gentil para todos os seus filhos. Esse foi o sentido do encontro, construir uma linguagem comum para que possamos nos sentir mais unidos, mais fortes e assim, possamos continuar sonhando e acalentando os nossos sonhos”, finalizou Antônio Gomides França.