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TECNOLOGIA

Empresa incubada do PTI busca viabilizar mercado agropecuário Paranaense por meio da Blockchain

A proposta da Brexbit para um sistema de emissão de guias de trânsito animal foi elaborada em parceria com o Centro Internacional de Hidroinformática

23/10/2018 - 14:46


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    Foto: PTI/Assessoria

Otimizar processos do mercado agropecuário do Oeste do Paraná, visando um aumento da sua produtividade aliada à segurança prestada por tecnologias inovadoras, é a proposta do projeto elaborado pela Brexbit. A ideia da startup, criada a partir do incentivo do Parque Tecnológico Itaipu (PTI), por meio da Incubadora Santos Dumont, envolve a criação de um sistema capaz de modernizar os processos de rastreabilidade na área de sanidade animal com foco no transporte de cargas vivas. O sistema baseia-se na tecnologia da blockchain – um banco de dados descentralizado e criptografado que garante a confiabilidade da informação que resguarda. 

O projeto de criação de um sistema de emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA) via blockchain foi desenvolvido em parceria com o Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) do PTI. Em setembro, os sócios da Brexbit – Cassiano Peres e Erik Henrique – acompanhados pelo engenheiro ambiental do CIH, Alisson Rodrigues Alves, apresentaram a proposta para representantes da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar), em Curitiba, com o intuito de firmar uma parceria em prol do desenvolvimento do sistema.

A startup foi criada originalmente para trabalhar com a compra e venda de criptomoedas, moedas virtuais cuja mais conhecida é o bitcoin, cambiadas por meio da blockchain. No entanto, conforme explica Cassiano, a aplicação da blockchain pode ir muito além do suporte às moedas virtuais devido à segurança que seu modelo proporciona. 

“O PTI é um polo muito grande de pesquisa. Ao ampliarmos essa aplicação, podemos trazer um mundo de inovação para dentro do Parque que reflete diretamente em toda a região Oeste”, destaca Cassiano. “O diferencial da blockchain, ao contrário de um banco de dados centralizado, é a ausência de edição da informação. Dessa forma, é possível fazer adições a um dado já existente, mas seu conteúdo original permanece inalterado e disponível para acessos, garantindo sua confiabilidade”, completou o empresário.

Conforme contam os sócios, a ideia do sistema surgiu para atender demandas geradas por um processo que, atualmente, ainda é feito de forma manual, baseado em formulários de papel ainda sujeitos a fraudes. Além disso, eles complementam, não há uma integração com os sistemas de sanidade animal de outros estados, o que interfere na fiscalização dos mesmos. A solução encontrada pela Brexbit para potenciais transtornos deste processo, como rasura ou perda de documentos, foi a criação de uma criptomoeda chamada Ethereum, que possui a tecnologia de contratos inteligentes (Smart Contracts) e uma versatilidade para a programação da blockchain com um fim específico. 

Segundo Alisson, o sistema pode aumentar o alcance do mercado agropecuário brasileiro através da confiabilidade gerada pelo uso da blockchain, refletindo em um aumento na exportação da carne com garantia de qualidade. O engenheiro pontua ainda que a proposta possui uma importância estratégica para a atuação do PTI no território, auxiliando o Estado a atingir o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação devido à facilitação da logística direcionada à sanidade animal possibilitada pelo projeto.

Para o diretor superintendente do Parque Tecnológico Itaipu, Jorge Augusto Callado, o apoio aos novos negócios fomenta um importante compromisso do Parque em promover o desenvolvimento das comunidades. “Estaremos em constante apoio aos ecossistemas de inovação que atendam à nossa vocação regional”, pontuou.

Pesquisa

A Brexbit surgiu primariamente para atender a crescente demanda do mercado pelo bitcoin, conforme explicam os sócios, Cassiano e Erik, que decidiram submeter a ideia ao edital da Incubadora do PTI. Entre setembro e dezembro de 2016, a empresa passou pelo período de pré-incubação e, em 1º de dezembro daquele ano, foi oficialmente aprovada pela banca avaliadora.

No final de 2017, a proposta do projeto para o sistema de emissão de GTAs, elaborada em parceria com o CIH, foi submetida ao edital do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Em abril deste ano, a proposta foi selecionada para receber recursos no valor de R$ 60 mil.

O primeiro repasse de recursos do CNPq ocorreu em setembro, direcionado à contratação de quatro bolsistas que auxiliarão na pesquisa e desenvolvimento do sistema de GTA. A entrega do primeiro protótipo operacional está prevista para o primeiro semestre de 2019.

A Incubadora

A Incubadora do PTI possui sede no Parque, localizado na área da usina da Itaipu Binacional, e conta com outras duas unidades, uma na Uniamérica, em Foz do Iguaçu, para projetos específicos de alunos da faculdade, e outra em Marechal Cândido Rondon. De 2006 até 2017, foram lançados 11 editais para incubação. Neste período, 56 empresas passaram pela Incubadora do Parque, gerando um faturamento de aproximadamente R$ 50 milhões.