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O mundo e o meu pé de milho

A velocidade do mundo nos separa das maravilhas da vida;

28/04/2019 - 22:43
Selma Becker

Selma Becker

Jornalista e mestre em Ciências Ambientais; ama sua prole; não acredita na verdade, mas a persegue! É apaixonada pelas letras e pela a agrofloresta.


A velocidade do mundo nos separa das maravilhas da vida;

De repente todos os nossos desejos são atendidos num clique;

Ou numa visita a um supermercado ou a um Shopping Center.

Perdemos a noção de que o tempo transforma, cria e morre.

Não mais nos atentamos que o mundo é vivo e nos transforma;

Temos pressa, mas tão pouco sabemos aonde queremos chegar;

Corremos atrás das horas, das tarefas...

Não sentimos a vida;

Não percebemos mais ela pulsar;

Perseguimos uma segurança que pode ser completamente inútil;

Nos esquecemos que somos feitos de ciclos;

Nos angustiamos quando a natureza nos para!

E foi assim para mim, nesta semana...

Há pouco tempo, como gosto de fazer quando viajo – visitei uma feira livre e trouxe sementes de milho tradicional;

Sem pretensões as lancei no pequeno pedaço de terra que sobrou no meu quintal.

As esqueci, as ignorei...

Até que o verde rompeu o solo pobre e mostrou-se como resistência;

Sem me ter atenta, os parcos pés de milhos foram crescendo...

Até que meu olhar descomprometido com o poder de transformação da natureza, mergulhou numa sensação de angústia;

Me dei conta do tempo que havia passado e desejei que o fruto estivesse na minha mão, no tempo do clique no computador, na ida ao supermercado ou ao shopping center...

Desejei arrancá-lo, descartá-lo porque não corresponderá a angústia do meu tempo...

Fiz planos para tombá-los e, quem sabe, aproveitá-lo como adubo e com sorte para outra semeadura sem pretensões o tempo da natureza pudesse se aproximar do tempo angustiante da minha modernidade.

Veio a chuva e o meu pé de milho, surpreendentemente, mostrou sua flor...

E disse: vim no meu tempo, no meu ciclo!

E então, meu pé de milho, aquele que semeie sem pretensões...  me disse: é hora de parar;

É hora de voltar observar a natureza;

É preciso aprender que não adianta acelerar o tempo, ele não trará mais felicidade;

É tempo de respirar, deixar a chuva chegar, e mostrar suas flores para que o fruto possa amadurecer e assim, mostrar sua força e tudo transformar.

Transformar a mim e, se quiseres, você também!