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SAÚDE

Hospitais têm estoque de remédios para uma semana

Hospitais vivem batalha diária para repor estoque e garantir atendimento dos casos graves de Covid-19

01/07/2020 - 16:04
Por Redação


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O Secretário de Saúde do Estado, Beto Preto reafirmou hoje (1) que, a situação é grave. Ele disse que chegamos no limite de formação de equipes intensivistas e da medicação fundamental para entubar pacientes. Além da corrida atrás de fornecedores, o Estado pediu a suspensão de cirurgias eletivas, visando a economia do medicamento, alguns com estoque apenas para seis dias. Esta realidade está presente nos dois hospitais referência da 20ª Regional de Saúde – Toledo.

A demanda destes insumos, com a Pandemia, cresceu de 500 a 600%. A farmacêutica responsável do Hospital Moacir Micheletto, em Assis Chateaubriand, Caroline Morales Marcato conta que a equipe médica já mudou o padrão de medicamentos para sedação diversas vezes, devido a falta dos remédios no mercado. “Com isso eu preciso de dois remédios para produzir o mesmo efeito que antes nós tínhamos com um e o custo disso, em alguns casos, é 1000% mais caro”, lamentou a farmacêutica.

A pandemia obrigou os hospitais mudarem o padrão de compras de medicamentos. “Antes comprava para 15 dias, hoje isso não é possível. Tenho medicamento para uma semana. Quando chega a medicação já tenho que buscar fornecedores para garantir o abastecimento da outra semana. Cada dia é uma batalha, estamos em função da UTI e atrás de medicamentos”, revela a Farmacêutica.

Esta mesma realidade é vivida no HOESP (Hospital Bom Jesus) de Toledo. “A Sesa nos enviou alguns medicamentos, mas este estoque deve dar para uma semana”, alertou a Superintendente Zulnei Aparecida Bordin.

No HOESP os protocolos para sedação também foram alterados devido à baixa dos insumos. “Não encontramos no mercado estes remédios para sedar e manter sedado o paciente. Os hospitais substituem os remédios e logo estes também estão em falta e quando conseguimos, às vezes, um remédio que custava R$ 5,95 hoje custa R$60, e ainda, pedem 30 dias para entregar, este prazo está fora da realidade, não resolve nosso problema”, lamentou Zulnei.

A Superintendente do HOESP alerta que a formação de equipes intensivista tem sido uma tarefa árdua. “Hoje conseguimos fechar uma segunda equipe intensivista com a colaboração, além dos médicos de Toledo, de Cascavel e até Curitiba”.

Os esforços das equipes hospitalares esbarram na frustração da baixa resposta de alguns setores da sociedade na hora de prevenir o contágio. “Para as pessoas que não acreditam no que estamos vivendo, queria que pudessem passar um dia dentro de um Hospital para conhecer a realidade”, disse Caroline Morales Marcato do Hospital Moacir Micheletto.

A Superintendente Zulnei Aparecida Bordin do HOESP pede a população para observar as orientações das autoridades sanitárias. “Se as pessoas mudarem o seu comportamento podemos mudar esta situação. Mantenham a distância social, lavem as mãos sempre que puderem, diversas vezes e quando isso não for possível usem o álcool gel e usem a máscara”, pediu.

Achatar a curva

O Paraná está com índice de transmissibilidade de 1,37. Para manter a Pandemia sob controle o ideal que este índice esteja em 1 e abaixo de 1 significa que a contaminação está entrando em regressão.  Para atingir taxa de um é necessário um isolamento social entre 50 e 55%, hoje durante a semana, a média é 35%.

Ocupação de Leitos

Os dois hospitais apontam que o fluxo é intenso nos leitos e a realidade pode mudar a qualquer momento, para o bem ou para o mal. Na pior das hipóteses os estoques de medicamentos podem ser impactados.

Nesta quarta-feira (1), entre 14 e 14h30 no HOESP a ocupação dos leitos de UTI estavam em 68,75%, mas já aguardavam outro paciente e na enfermaria a ocupação estava em 50%. No Hospital Moacir Micheletto na UTI 60% dos leitos estavam ocupados e na enfermaria 70%.