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SAÚDE

Observatório Covid-19 aponta maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil

Das 27 unidades federativas, 24 estados e o DF estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%.
17/03/2021 - 15:21
Por Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)


Diante do atual cenário da pandemia, a Fiocruz divulga, na terça-feira (16/3), mais uma edição do Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz. A análise chama atenção para os indicadores que apontam uma situação extremamente crítica em todo país. Na visão dos pesquisadores que a realizam, trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil.

O Boletim mostra que, no momento, das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. Em relação às capitais, 25 das 27 estão com essas taxas iguais ou superiores a 80%, sendo 19 delas superiores a 90%. 
Os dados são das secretarias estaduais de Saúde e do Distrito Federal, e das secretarias de Saúde das capitais. As novas informações apuradas foram adicionadas à série histórica já apresentada pelo Boletim. O mapeamento traz dados obtidos desde 17 de julho de 2020. 

A fim de evitar que o número de casos e mortes se alastrem ainda mais pelo país, assim como diminuir as taxas de ocupação de leitos, os pesquisadores defendem a adoção rigorosa de ações de prevenção e controle, como o maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais. Eles enfatizam também a necessidade de ampliação das medidas de distanciamento físico e social, o uso de máscaras em larga escala e a aceleração da vacinação.  

O município de Araraquara, em São Paulo, é apresentado no Boletim como um dos exemplos atuais de como medidas de restrição de atividades não essenciais evitam o colapso ou o prolongamento da situação crítica nos serviços e sistemas de saúde. Com as medidas adotadas pelo município, Araraquara conseguiu reduzir a transmissão de casos e óbitos, protegendo a vida e saúde da população. 

O exemplo do município de Araraquara


O município de Araraquara, em São Paulo, vivenciou num intervalo de cinco dias (entre 1◦ e 6 de fevereiro) um crescimento rápido nas taxas de ocupação de leitos Covid-19, passando da zona de alerta baixa (56%) para zona de alerta crítica (84%). Nos dias seguintes a situação só piorou, atingindo o colapso do sistema de saúde (taxa de ocupação de leitos UTI Covid-19 de 100%) em 15 de fevereiro de 2021.

Este cenário não ocorreu de uma hora para outra, sendo precedido pelo expressivo crescimento de casos e óbitos ao longo de janeiro e fevereiro. Diante desta situação de saúde, a Prefeitura de Araraquara aumentou as restrições para atividades não essenciais e circulação de pessoas adotando o bloqueio ou lockdown, com funcionamento apenas de farmácias e unidades de saúde de urgência e emergência a partir das 12h de 21 de fevereiro, um domingo. Neste período só foi permitido sair para utilizar ou trabalhar em algum dos serviços em funcionamento. O transporte público não funcionou e supermercados ficaram fechados e atendendo por delivery durante seis dias, retornando em 27 de fevereiro.

As medidas restritivas de isolamento social adotadas pela Prefeitura em fevereiro, incluindo o bloqueio ou lockdown, deram resultado e fizeram cair, ao menos preliminarmente, o número de novos casos confirmados de Covid-19 e a média móvel diária neste início de março. Entre 21 de fevereiro e 10 de março (17 dias), a média móvel diária de novos casos de Covid-19 caiu de 189,57 para 108, uma redução de 43,02%.

Em relação às internações, como já era esperado, os efeitos não foram imediatos, tendo sido registrado, em 25 e 26 de fevereiro, o maior número de pacientes internados por Covid-19 no município (247 pacientes internados) desde o início da pandemia, representando um aumento de 13,3% em relação ao dia em que foi decretado o bloqueio ou lockdown. Catorze dias após ter atingido este pico, e 17 dias depois do decreto de bloqueio ou lockdown, podemos perceber uma redução de 28,34% em relação ao pico registrado no número de internação de pacientes com Covid-19 no município. Vale mencionar ainda que entre a semana epidemiológica que vai de 15 a 21 de fevereiro (início do lockdown), e a que vai de 1◦ a 7 de março (14 dias depois), houve uma redução de 28,78% de novos casos por semana epidemiológica.

O município de Araraquara é um dos exemplos atuais de como medidas de restrição de atividades não essenciais podem não só evitar o colapso ou mesmo prolongamento desta situação nos serviços e sistemas de saúde, resultando na redução da transmissão, casos e óbitos, protegendo a vida e saúde da população. 

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