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OPINIÃO

Decretos, Decretos... para que Decretos?

As UTI estão 100% ocupadas! Na Macrorregião Oeste, na manhã de sexta-feira (28), 118 pessoas aguardavam um leito de UTI, destas 22 na Regional de Saúde de Toledo.  O município tem 964 casos ativos e 382 exames em analise

28/05/2021 - 22:49
Por Selma Becker


459 mil brasileiros perderam a vida nesta Pandemia, até o momento. Destes 26 mil no Paraná, 309 moradores de Toledo.

As UTI estão 100% ocupadas! Na Macrorregião Oeste, na manhã desta sexta-feira (28), 118 pessoas aguardavam um leito de UTI, destas 22 na Regional de Saúde de Toledo. 

Só o Município de Toledo tem 75 moradores internados por Covid, 23 em leitos de UTI e 52 em enfermaria, destes 35 estão no Pronto Atendimento Municipal Dr. Jorge Milton Nunes e 10 deles deveriam estar num leito de UTI, mas estão num Pronto Atendimento entubados, em uso de respiradores mecânicos.

Os novos casos seguem em crescimento acelerado. Só nesta sexta-feira foram confirmados 127 novos casos, totalizando 964 casos ativos e 382 exames, ainda aguardam o resultado. Hoje foi registrado mais duas mortes, totalizando 309 vidas perdidas.

E, mais uma vez, Estado e Município estão desalinhados nos Decretos. Cada um dá uma orientação. Prefeitos reuniram-se na Amop para alinhar um posicionamento. E o que eles chamam de alinhamento é a unificação do horário de toque de recolher para atividades de entretenimento dos municípios, para as 23h, diferente do estabelecido pelo Estado, mas ainda, cada município pode decretar o que melhor entender, este é o alinhamento.

E Toledo, como o próprio prefeito Beto Lunitti falou em seu pronunciamento pelas redes sociais, o Decreto de Toledo, pouco mudou, reduziu para às 22 horas o funcionamento destes estabelecimentos. 

Mas... para circular nas vias públicas o limite é 20 horas. O passaporte para os cidadãos que tem o passe livre até as 22h, é o cupom fiscal do estabelecimento ou uma declaração simples, para quem estiver no culto ou na missa, fornecida pelo Pastor ou pelo Padre.

Fica a dúvida: O limite das 22h é para a galera do rolezinho, aquele público que o lazer é dar uma volta no Parque, no bairro...? Ou ainda, para o sujeito que pedala a noite, já que este não tem o comprovante da academia?

Outra dúvida: mais de uma semana as UTIs estão lotadas, a fila de espera por uma vaga só cresce... um “Decreto que não muda muito”, reduz um tempinho na circulação noturna, mas mantém as mesmas regras anteriores “como medidas de contenção da propagação do vírus”, e que não tem dado certo, haja vista os números oficiais... Será o bastante para garantir o direito a assistência de todos os doentes? Garantir o acesso, a tempo de salvar a vida, das pessoas que precisam de um leito de UTI e estão numa espera angustiante?

O alinhamento dos prefeitos poderia vir junto com explicações técnicas que justifiquem se estas medidas mais flexíveis que as do Estado, garantirão a assistência qualificada e a tempo de quem espera.

Dizer também se estas medidas sinalizam aos médicos, enfermeiros que estão exaustos, nesta luta para salvar vidas, que isso logo vai passar. Seria a melhor homenagem!

Na manifestação da Amop foi sinalizada a autonomia dos municípios em deliberar a respeito das políticas de combate à pandemia. Toda a autonomia, o livre arbítrio, a escolha... carrega intrinsicamente uma responsabilidade. 

Hoje o Oeste tem 325 leitos de UTIs e 118 pessoas do lado de fora, aguardando uma oportunidade de lutar pela vida. Isto envolve garantia ao acesso as UTIs, medicação de primeira linha, profissionais com saúde física e emocional, para cuidar destas pessoas.

Caso contrário, para que Decreto?

Em tempo: sim há a responsabilidade e as escolhas dos cidadãos de ir ou não, aglomerar ou não, usar máscara ou não, manter a distância ou não... Mas, estas respostas poderiam ser mais potentes se as mensagens fossem claras, nos tempos necessários e, com o exemplo necessário.