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EDUCAÇÃO

Conheça a professora que mantém um celeiro de pesquisadoras, em Toledo

Única representante do Sul do País no Febrace e uma das quatro mulheres finalistas, Dionéia Schauren é coordenadora do Clube de Ciências do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, que se tornou um verdadeiro polo de pesquisadores juniores 
08/03/2022 - 10:16
Por Assessoria


A agente educacional Dionéia Schauren, de Toledo, é uma das dez finalistas do Prêmio Professor Destaque da Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) 2022, que começa na próxima semana. Única representante do Sul do País e uma das quatro mulheres finalistas, Dionéia é coordenadora do Clube de Ciências do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, que se tornou um verdadeiro polo de pesquisadores juniores com destaque em congressos e feiras no Brasil e no mundo.

Em um cenário ainda dominado por homens – segundo dados da Unesco, menos de 30% dos pesquisadores do mundo são mulheres – a laboratorista ajudou a construir um clube onde a proporção de mulheres é praticamente inversa ou até superior em determinados momentos.

“A grande maioria são meninas. Por incrível que pareça, as mulheres dominam o laboratório. Elas metem a mão na massa, pintam muro, sobem e descascam árvores, fazem tudo de igual para igual. Não tem diferenciação de tratamento. E nunca ouvi um ‘ah, não vou fazer isso porque vou me sujar’”, relata Dionéia, que orienta diversos trabalhos todos os anos.

O resultado do trabalho é visto corriqueiramente, com pesquisas participando de inúmeros eventos nacionais e internacionais. Na própria Febrace 2022 (com projetos de redes privadas e públicas de todo o País), 10 dos 497 trabalhos classificados são da rede estadual do Paraná, sendo cinco do CE Jardim Porto Alegre – quatro deles de meninas – e todos orientados por Dionéia, reconhecida pela orientação dos estudantes.

Criado em 2014 como local para realizar atividades práticas de Física, Química e Biologia no contraturno, o Clube de Ciências se transformou logo no ano seguinte em um espaço para projetos de iniciação científica. “O interesse foi grande e no fim daquele ano inicial lembro de uma aluna que falou pra mim: quero ser cientista igual a você. O que eu faço pra ser também?”, diz a educadora, formada em Ciências Biológicas, com mestrado em Agronomia e Ciências Ambientais.

O recado fez o colégio rever o projeto original, pois ele não havia sido feito para “criar cientistas”, uma vez que eram utilizados roteiros prontos. “Mudamos a partir da vontade dos estudantes de ser pesquisadores. Então, o foco passou a ser o ensino para a pesquisa bibliográfica, organização do plano de pesquisa, com as hipóteses, os objetivos, além do suporte na parte prática do projeto, quando ele efetivamente é feito, adequando à realidade do laboratório e seus recursos”, conta.

Desde então, dezenas de projetos já foram desenvolvidos e reconhecidos, com participações em eventos de quase todos os estados brasileiros e nacionais, como a própria Febrace, Respostas para o Amanhã, além das maiores feiras e programas escolares do gênero no mundo, como a Genius Olympiad, Renegeron ISEF (Feira Internacional de Ciências e Engenharia), Expo-Sciences Asia, London International Youth Science Forum, Programa Jovens Embaixadores, entre outros de destaque.

SER CIENTISTA – Além de seguir metodologias e fazer registros de todos os processos, Dionéia cita um fator muito importante que faz toda a diferença para os resultados alcançados. “Ser cientista é muito mais do que vir para a escola fazer a prática. É se dedicar, ter carinho e não ter data e hora marcada pra fazer as coisas. Tem que entender que no meio do feriado as plantas vão precisar de água, tem medições necessárias e não importa se chover, cair a luz, ele vai vir fazer a sua parte”, diz.

“Temos um diário de bordo com os alunos com gorro de Papai Noel, porque vieram fazer a medição de fungo no dia do Natal, porque o fungo não parou de crescer nesse dia”, completa a laboratorista sobre a relação de paixão e dedicação extra imprescindíveis.

MULHERES NA CIÊNCIA – Com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Febrace lançou no último mês o programa “Mentes criativas, soluções inovadoras”. Uma das duas séries de entrevistas é  “Mulheres na Ciência”, com relatos de meninas e professoras que trilharam carreiras de sucesso impulsionadas pela Ciência.

Para a coordenadora-geral da Febrace, Roseli de Deus Lopes, “reduzir a diferença de gênero na Ciência é uma tarefa que cabe a toda a sociedade”. Segundo ela, ainda é muito comum que as mulheres sejam desincentivadas. “Acreditamos que exemplos de superação sirvam para encorajar outras meninas.” Cinco dos oito episódios já foram disponibilizados, sendo um deles com Dionéia Schauren. É possível ouvir este e os demais episódios clicando aqui.

MULHERES NA REDE – Dionéia é uma das mais de 60 mil mulheres que fazem a Educação acontecer no Paraná – predominantes em todas as áreas dentro da rede estadual de ensino. Dos mais de 80 mil funcionários diretos da Seed-PR (Secretaria de Estado da Educação e do Esporte), 76% são mulheres, entre professoras, funcionárias de escolas, dos Núcleos Regionais de Educação e da própria Seed-PR. Em nenhum desses diferentes ambientes o percentual feminino é inferior a 73%.