Há encontros que não acontecem apenas no palco, mas também na memória, na identidade e na alma dos povos. Na noite de terça-feira (14), o concerto “Com Alma Brasileira e Coração Português” transformou o oceano que separa Brasil e Portugal em uma ponte de afetos, na qual melodias atravessaram gerações e tradições, dialogaram com a erudição e revelaram a vocação mais nobre da música: unir diferentes culturas sem apagar suas singularidades.
Entre canções de ninar, cantigas populares e danças que ecoam a história de dois povos irmãos, o programa convidou o público a reconhecer que, embora mudem os sotaques, os ritmos e as paisagens, permanece inalterada a essência da experiência humana.
É nesse encontro entre raízes e sonhos, entre a saudade portuguesa e a vitalidade brasileira, que a arte confirma sua capacidade de transcender fronteiras e falar, com a mesma intensidade, ao coração de todos.
O cantor português Pedro Telles enfatiza o poder da música como instrumento de integração cultural, formação de novos públicos e valorização das tradições do Brasil e de Portugal. Participando pela primeira vez do Festival Internacional de Música Araucárias do Paraná, o artista celebra a oportunidade de apresentar um repertório que aproxima os dois países por meio da música de concerto. E para celebrar esta diversidade, integramos neste texto, o jeito do português de Portugal, na fala dos nossos entrevistados.
“Antes de mais, a minha mensagem é de agradecimento por ter sido convidado para este festival incrível. É um encontro de interculturalidade, com músicos de vários países.”
Telles também considera importante que cidades menores tenham acesso à cultura. “É um património cultural que estamos a levar a teatros como este. Talvez, noutra oportunidade, este público não tivesse a possibilidade de assistir à atuação de grandes músicos.”
O artista também comentou o acolhimento do público de Toledo e o incentivo oferecido aos jovens músicos que participam do Festimap.
“Percebi que o público quer incentivar a música. Mesmo quando alguma coisa pode não correr exatamente como planeado, as pessoas valorizam o esforço e apoiam os jovens que ainda estão num processo de crescimento artístico. Isso é muito bonito.”
Para Pedro Telles, aproximar novos públicos da música clássica passa por tornar esse universo mais acessível, sem perder a qualidade artística.
“A música clássica tem muitas linguagens. Para conquistar quem está a começar a conhecê-la, é importante apresentar as informações de forma mais simples, escolher momentos mais conhecidos, temas românticos e repertórios que facilitem essa aproximação. Esta tem sido uma experiência muito positiva. A música é uma forma de viver e de exaltar a alma.”
Transformação
A pianista portuguesa de origem brasileira Christina Margotto defende a música como ferramenta de transformação social, inclusão e conexão entre as pessoas durante sua participação no Festival Internacional de Música Araucárias do Paraná (Festimap), em Toledo. Com uma trajetória internacional consolidada, a artista afirma que a arte ultrapassa fronteiras e deve estar ao alcance de todos.
“A música integra os povos. Que ela integre as pessoas, que seja inclusiva. Ela é para toda a gente. Que as pessoas percebam que a música é para todos e que todos podem fazer música de alguma forma.”
Christina conta que iniciou os estudos de piano aos oito anos de idade e que, ainda na adolescência, decidiu seguir a carreira musical. Após conquistar seus primeiros concursos no Brasil, mudou-se para São Paulo e, posteriormente, para Portugal, onde vive há 37 anos.
“O Festimap é um ambiente de igualdade e respeito entre professores e alunos. A música ocupa um papel essencial na minha vida e serve como refúgio, inspiração e forma de expressão espiritual. A música é tudo na minha vida. Sempre foi uma forma de me abstrair, de me concentrar em alguma coisa, de me afastar, por alguns momentos, das dificuldades e de tudo o que acontecia ao meu redor. A música é uma linguagem, uma forma de comunicação com o divino.”
Christina deseja que a experiência musical desperte sentimentos de humanidade e esperança.
“Espero que todos sintam, através da música, a humanidade e procurem construir um mundo melhor.”
A terceira edição do Festival Internacional de Música Araucárias do Paraná é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com realização do Ministério da Cultura. O Festival tem patrocínio cultural exclusivo da Prati-Donaduzzi e apoio institucional da Prefeitura de Toledo, por meio da Secretaria Municipal da Cultura.




