O Festival Internacional de Música Araucárias do Paraná (Festimap) reserva para esta quinta-feira (16) uma noite em que a delicadeza da infância encontra a grandiosidade do canto lírico. No palco, o Coral Infantil apresenta “Crianças: Um Canto de Paz”, sob a regência da maestrina Dulce Primo, com assistência de Anderson Luiz Back e acompanhamento do pianista Rodrigo Pires, em um espetáculo que celebra o amor, a esperança e a alegria que só o olhar de uma criança é capaz de transmitir.
Na mesma noite, a intensidade das vozes adultas ganha espaço com a Classe de Canto “Gala Lírica”, conduzida pelo professor Francisco Campos, com acompanhamento do pianista Daniel Gonçalves. A apresentação reunirá interpretação, técnica e emoção em um repertório que evidencia toda a força da música erudita. Entre a doçura das vozes infantis e a potência do canto lírico, o Festimap promove um encontro de gerações e mostra que a música, em todas as suas formas, é capaz de emocionar, acolher e inspirar o público.
Crianças: Um Canto de Paz
Dulce Primo é a maestrina que transforma música em abraço e faz da infância um canto de paz. Conhecida nacionalmente como a guardiã do Coral do Palácio Avenida, em Curitiba, um dos mais tradicionais espetáculos natalinos do Brasil, a maestrina Dulce acredita que a música começa muito antes da primeira nota. Para ela, tudo nasce do afeto, do acolhimento e da capacidade de enxergar cada criança como um ser único.
Na terceira edição do Festival, ela conta que o reencontro com os pequenos músicos é marcado por demonstrações espontâneas de carinho que revelam o verdadeiro sentido do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. “Tem crianças que participam desde a primeira edição. Quando elas chegam correndo para me abraçar, quando me oferecem uma bala dizendo que sou um doce, um pirulito ou tiram a pulseira do próprio braço para colocar no meu, percebo que esse vínculo foi construído pelo amor. A criança é espontânea. Ela só se aproxima quando sente que é verdade”, relata, emocionada.
Conforme a maestrina, esses pequenos gestos representam muito mais do que lembranças afetivas. São a confirmação de que a música também é um espaço de pertencimento, onde cada criança encontra segurança para crescer, sonhar e se expressar. “Antes de fazer música, nós somos seres humanos. Precisamos cuidar das pessoas, acolher, abraçar, fazer com que elas sintam o amor. Só depois vem a música.”
Sensibilidade da infância
Inspirada pelos desafios do mundo atual, Dulce revela que o tema deste ano nasceu da necessidade de olhar com mais sensibilidade para a infância. A proposta, intitulada “Crianças: Um Canto de Paz”, surge como uma oração coletiva diante de um cenário marcado por guerras, violência e inseguranças. “Vivemos um tempo em que quem mais sofre são as crianças. Há conflitos, agressividade e muitos adultos também perdidos. Por isso, o desejo de fazer um convite para que todos olhem mais para elas, cuidem mais delas. Nosso canto será um pedido de paz e um gesto de acolhida. Vamos mostrar às crianças que elas são profundamente amadas.”
Por sua vez, a maestrina salienta que a arte possui uma força única para despertar aquilo que existe de mais bonito nas pessoas, e as vozes infantis carregam essa mensagem de maneira ainda mais intensa. “As crianças nos ensinam diariamente. Elas brincam, acreditam, têm esperança e confiam. Nós crescemos e, muitas vezes, perdemos essa criança que existe dentro de nós. A música nos ajuda justamente a reencontrá-la. Ela acessa os nossos melhores sentimentos.”
Mais do que formar coralistas, Dulce acredita que ajuda a formar seres humanos mais sensíveis. “Cada ensaio, cada canção e cada abraço reafirmaram que a música tem o poder de unir, consolar e transformar. Em um Festival que celebra a excelência artística, sua mensagem ecoa para além dos palcos. Desejo que a música continue sendo um caminho para cultivar o amor, fortalecer a esperança e lembrar ao mundo que cuidar das crianças é, acima de tudo, cuidar do futuro.”
Profundidade emocional
Se Dulce Primo enxerga na música um caminho para acolher e formar cidadãos mais sensíveis, o professor Francisco Campos amplia essa mesma visão ao mostrar que a arte do canto também exige profundidade emocional e humanidade.
Segundo o professor, a formação de um cantor vai muito além do domínio da técnica vocal. É um processo que envolve sensibilidade, interpretação e a capacidade de dar vida às emoções presentes em cada composição. “Você desperta a voz, trabalha os refinamentos, o colorido. Porque a gente tem que colorir quando canta. Eu falo que a técnica é uma espécie de lápis de cor para colorir o texto.”
O professor explica que a técnica é a ferramenta que permite ao intérprete transformar palavras em emoção e estabelecer uma conexão genuína com o público. “A música tem texto e o texto fala da vida”, destaca, ressaltando que cada repertório exige uma abordagem interpretativa própria.
Essa diversidade pode ser percebida nas apresentações realizadas durante o Festimap. Na Catedral Cristo Rei, o público foi contemplado com obras de música sacra; no Certi Pioneiro, o repertório reúne canções brasileiras de câmara; e, no Teatro Municipal de Toledo, a programação culmina com a interpretação de árias de ópera.
A terceira edição do Festival Internacional de Música Araucárias do Paraná é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com realização do Ministério da Cultura. O Festival tem o patrocínio cultural exclusivo da Prati-Donaduzzi e apoio institucional da Prefeitura de Toledo, por meio da Secretaria Municipal da Cultura.




