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ECONOMIA

GREVE: Salários pagos em bancos estão comprometidos

A greve dos bancários que entrou hoje (5) no sétimo dia em Toledo ameaça o pagamento dos salários. A situação mais delicada pode ser nesta quarta-feira, quinto dia útil do mês, data em que as empresas costumam fazer os depósitos. Além de em muitos bancos estes serviços estarem interrompidos, a maior parte dos caixas eletrônicos não há mais dinheiro para saque e não estão sendo feitas reposições.

05/10/2010 - 11:01


Segundo o secretário do Sindicato dos Bancários da região de Toledo, Zelário Bremm, a 26ª agência da abrangência fechou as portas hoje. Trata-se do Banco do Brasil de Mercedes. Até amanhã a adesão à greve deve ser de 100% já que as atividades também devem ser interrompidas no BB de São Pedro do Iguaçu. Até o momento, mais de 300 funcionários estão de braços cruzados aguardando algum acordo entre sindicatos e Fenabn.
A paralisação é praticamente completa em toda região. No núcleo de Cascavel Céu Azul e Vera Cruz do Oeste informaram que iriam aderir à paralisação. Na região de Foz do Iguaçu, o mesmo ocorre com Santa Helena e Medianeira.

Novidades

 

Ontem o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, encaminhou uma carta ao presidente da Fenaban, Fábio Barbosa, repudiando as práticas antissindicais adotadas pelos bancos, como o uso dos interditos proibitórios, e reafirmando a disposição de negociar. O envio do documento foi aprovado e encaminhado após a reunião do Comando Nacional, realizada na sede da Confederação, em São Paulo.
Na correspondência, o Comando Nacional repudia "a maneira pela qual a Federação Nacional dos Bancos vem conduzindo o processo negocial deste ano, caracterizado por evidente descaso com as reivindicações apresentadas pela categoria bancária, e uma acentuada prática antissindical".
Os bancários denunciam o descumprimento por parte das empresas do artigo 224 e seguintes da CLT, ao convocarem empregados a "alterar seu horário de trabalho para ingresso nas agências e departamentos durante a madrugada", para enfraquecer o movimento grevista.
"Lembramos que a greve é instrumento legal e que a lei nº 7.783/89 prevê em seu artigo 6º a realização de piquetes como meio de convencimento dos trabalhadores frente à intransigência das instituições financeiras, que se recusam em apreciar com seriedade as reivindicações levadas pela categoria por meio do Comando Nacional dos Bancários", afirma o texto, denunciando a orientação da entidade patronal para que os bancos utilizem novamente a interposição de interditos proibitórios como forma de prejudicar o movimento grevista.
O interdito é um instrumento jurídico que passou a ser utilizado de forma distorcida pelos bancos, prejudicando os movimentos grevistas e o próprio direito de organização dos trabalhadores, uma vez que as multas impostas representam ameaça às finanças das entidades sindicais.
"É uma distorção praticada pelos departamentos jurídicos dos bancos. A greve dos trabalhadores não visa em nenhum momento tomar posse dos estabelecimentos, mas apenas mobilizar os bancários para que exerçam seu direito constitucional de greve", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. "As ações muitas vezes encontram guarida no Judiciário, mas cada vez mais juizes trabalhistas têm decidido em favor dos trabalhadores", salienta.

Por Juliet Manfrin com informações da assessoria