Base genética, composição racial - do pai, da mãe e do próprio animal - e diferença esperada na progênie são algumas informações que, obrigatoriamente, devem constar no documento.
O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Erikson Camargo Chandoha, explicou que, para efeitos legais, a autorização regulariza a comercialização e apresentação da nova raça em todo o Brasil.
O diretor-presidente do Iapar, Florindo Dalberto, destacou a importância do investimento nos estudos que resultaram na raça. “É uma conquista grandiosa, de muito tempo de trabalho e persistência”, disse.
PURUNÃ – O nome é uma homenagem à Serra do Purunã, que separa o primeiro e o segundo planaltos do Paraná e fica próxima à estação experimental do Iapar, em Ponta Grossa, onde foi realizado todo o trabalho de desenvolvimento da raça.
O projeto, que resultou na raça Purunã, começou no início da década de 1980. Surgiu com a constatação do pouco resultado obtido pelos pecuaristas no esforço para melhorar a produtividade por meio de cruzamentos para obtenção de mestiços. “Na maioria das vezes esse trabalho é feito desconsiderando critérios genéticos para obter o melhor das raças envolvidas”, explica o pesquisador do Iapar, Daniel Perotto.
De acordo com ele, surgiu daí a proposta de fazer cruzamentos sucessivos e controlados entre as raças Caracu, Canchim, Aberden Angus e Charolês, visando entregar aos pecuaristas uma raça pronta, capaz de reunir grande parte das qualidades de mestiços – carcaças de elevado padrão, com baixo custo e que ficassem prontos para abate em pouco tempo. O resultado obtido após mais de 30 anos de pesquisas é a raça Purunã.
Perotto explica que foi possível agregar no Purunã boa parte das características economicamente relevantes de cada grupo formador – rusticidade, tolerância ao calor e resistência aos carrapatos e outros parasitas do Caracu e do Canchim; alta velocidade de ganho de peso, carcaças que propiciam grande rendimento de carne e elevada porcentagem de carnes nobres do Charolês; e, ainda, precocidade, o tamanho adulto moderado, o temperamento dócil e o marmoreio e a maciez da carne do Angus.
FAZENDA-MODELO – Todo o trabalho de desenvolvimento da raça Purunã foi conduzido na Estação Experimental Fazenda-Modelo, do Iapar, centro de pesquisa criado em 1912 pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio para atuar na seleção e cruzamento de gado e no estudo e cultivo de plantas forrageiras.
O objetivo era de promover o desenvolvimento e a disseminação de tecnologias para os produtores – naquele período também foram criadas fazendas-modelo no Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Maranhão e Pernambuco.
Com o passar do tempo, reformulações na estrutura do Ministério da Agricultura acarretaram mudanças em sua denominação e atribuições, mas o aprimoramento da pecuária sempre se manteve como atividade principal da unidade de pesquisa.
Na década de 1970 denominava-se Estação Experimental de Criação e era ligada ao Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária Meridional (Ipeame). Em nova reestruturação, foi incorporada à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e, em 1978, passou à administração do Iapar.
Da AE Notícias
PECUÁRIA
Ministério da Agricultura autoriza Iapar a emitir certificado da raça Purunã
O Ministério de Agricultura e Abastecimento autorizou o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) a emitir o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP) da raça Purunã. O certificado foi instituído no Brasil em 1995. Com sua emissão, empresas que desenvolvem genética bovina asseguram a procedência e desempenho dos animais e garantem que touros, matrizes e sêmen comercializados têm desempenho superior e estão aptos a promover o melhoramento genético e gerar ganhos reais de produtividade.
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