Baseado em relatos reais de mulheres latino-americanas, o solo reúne histórias de resistência, coragem e enfrentamento das desigualdades. Nena Inoue dá voz a personagens que lutam por dignidade e sobrevivência, transformando a cena em um espaço de memória e denúncia.
A partir da obra Mulheres, do escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015) e dramaturgia do curitibano Francisco Mallmann, com direção de Nena e direção de texto Babaya (BH), este espetáculo apresenta temáticas femininas e feministas atreladas a questões políticas, especialmente da América Latina. Uma mulher se apropria da palavra e dá voz a muitas outras. Diferentes lugares, vidas e momentos históricos se mesclam em um clamor que traz a coragem de narrar, a urgência de ser dito e de compartilhar essas histórias.
Escrito em 1997, o livro recupera a biografia de várias personagens históricas cuja importância a perspectiva dominante reduziu, deturpou ou simplesmente ignorou. Trazendo à memória grandes feitos contra a opressão, a figura da atriz, apresenta uma narradora limitada fisicamente, mas que insiste em falar e intersecciona distintas vivências e aprendizados, evocando, ao mesmo tempo, muitas presenças, alternando força e ternura. Uma forma de dar voz às lutas de mulheres que não são vistas nem lembradas: negras, indígenas, guerrilheiras, mães, avós, filhas de diferentes épocas e lugares onde foram violentadas, mutiladas, torturadas, assassinadas e esquecidas.
O solo se insere no debate atual interessado no resgate e na manutenção da memória, apresentando o Brasil em interlocução muito estreita com toda a América Latina. “Quis colocar em cena mulheres que lutaram antes de nós pela liberdade e que, de alguma forma, venceram. São protagonistas de suas histórias. A peça é sobre opressão e violências, mas também sobre resistências, lutas, afeto. É também sobre as mulheres de hoje, do que está adormecido, coisas esquecidas que precisamos despertar. Vivemos um momento de retrocessos sociais onde a consciência histórica e resistência se fazem ainda mais necessárias. E este espetáculo é minha forma de militar, de resistir... e ele vem tocando distintos públicos, que não somente mulheres, pois seus conteúdos são importantes para todos neste momento”.
A montagem já conquistou alguns dos principais reconhecimentos do teatro brasileiro: o Prêmio Shell de Melhor Atriz (RJ, 2019) e o Troféu Gralha Azul (PR, 2017). O trabalho também circulou por diversos festivais nacionais e internacionais, consolidando-se como um dos solos mais potentes da dramaturgia contemporânea.
“Para Não Morrer” integra a trajetória de mais de 40 anos de carreira de Nena Inoue, marcada por produções que mesclam arte, política e compromisso social.
Serviço
- Espetáculo: Para Não Morrer
- Data: 25 de agosto de 2025 (hoje)
- Horários: 14h30 e 19h30
- Local: Teatro Municipal de Toledo
- Entrada: Gratuita
- Mais informações: nenainoue.com/paranaomorrer