A ajuda humanitária é um compromisso civilizatório, para alguns por motivação espiritual, para outros simplesmente porque é isso que nos faz humanos! A ajuda Humanitária surge para salvar vidas, aliviar o sofrimento e preservar a dignidade humana em situações de crise, como guerras, desastres naturais, epidemias e deslocamentos forçados.
O fazer pelo outro é o próprio sentido da existência de algumas pessoas e nesse mar de sentidos aconteceu o encontro de três brasileiros, num território que carece de cuidado, amor e solidariedade.
Senegal na África foi o local do encontro de Zenaide e Carlos Gatti e Edmilson Neto. Ela e seu companheiro de vida seguiram em viagem para conhecer causas que careciam de humanidade, e lá conheceram o Projeto Chemin Du Futur, em tradução livre: O caminho do futuro!
Neste caminho o fundador do Chemin Du Futur, o Tenente aposentado do Corpo de Bombeiros, Edmilson Neto, acolheu o casal e desde então, eles compartilham a mesma causa: o cuidado dos meninos de rua de Senegal.
Senegal tem o maior fenômeno de meninos de rua do mundo, estima-se 100.000 meninos e destes mais de 50 mil vivem em condições comparáveis à escravidão.
“Eu entrei para o voluntariado já há alguns anos já transitei por vários caminhos não me prendi a uma única causa. O meu trabalho como professora me dava muito sentido a minha existência, mas quando eu aposentei busquei este sentido no voluntariado”, nos conta Zenaide Gatti.
Para a educadora o voluntariado é um privilégio. “Quando você faz voluntariado está ajudando a si próprio, pois é um privilégio. Se eu estendo a mão ao outro significa que eu tenho como estender essa mão, logo eu sou privilegiado! E o outro privilégio é porque eu encontro no outro a minha humanidade”.
E é no conhecimento histórico que ela traz luz a está ideia. “Aprendi com Hannah Arendt que não se nasce humano, mas você pode se construir como humano. Humanizar-se é uma condição, é uma condição do ser que se humaniza. E para mim o voluntariado vem nesse sentido, a cada outro ser que eu encontro, a cada troca de abraço, a cada mão estendida, esse carinho e essa energia...tudo isso é o que dá sentido à minha existência hoje”.
Já o encontro do Tenente aposentado, Edmilson Neto nasceu em meio a missão de acompanhar um pesquisador, que ia ao Senegal, para conhecer de perto no fenômeno dos meninos de rua do Senegal. Quis a vida, que de segurança ele se transformou no próprio pesquisador e de lá para cá, Edmilson vive entre o Brasil e a África.
“Quando a gente regressou quem tinha um relatório sobre o fenômeno dos meninos era eu e não ele. Eu estava empolgadíssimo com a possibilidade de poder ajudar. Fiquei muito tocado com a situação, voltei para o Brasil me organizei e um ano depois eu mudei para o Senegal e morei lá um ano, voltei para o Brasil cumpri mais dois anos no Corpo de Bombeiros e me aposentei. Fui ao Senegal e fundamos a Chemin Du Futur”, lembra Edimilson.
Entenda a causa
O Senegal convive hoje com o que especialistas consideram o maior fenômeno de meninos em situação de rua do planeta. Estima‑se que mais de 50 mil crianças vivam em condições comparáveis à escravidão. Grande parte delas é formada pelos Talibés, meninos submetidos a trabalho forçado, violência e mendicidade diária sob justificativa religiosa.
A origem do Fenômeno Talibé
Os Talibés são crianças entregues por suas famílias aos marabus, líderes religiosos responsáveis pelas Daaras, escolas corânicas tradicionais. A palavra Talibé significa literalmente “aluno que aprende o ensino corânico”. Muitas dessas crianças vêm de aldeias remotas ou até mesmo de países vizinhos, enviadas com a promessa de acesso à educação religiosa.
Embora existam Daaras que seguem princípios pedagógicos e religiosos legítimos, a maioria, segundo organizações internacionais, funciona hoje como centros de exploração infantil. Os meninos são obrigados a passar horas nas ruas pedindo dinheiro ou comida e, caso não cumpram metas impostas pelos marabus, sofrem agressões físicas, psicológicas e até abusos sexuais.
Números que revelam a crise
Levantamentos da Human Rights Watch estimam que haja cerca de 100 mil Talibés no Senegal, sendo 30 mil apenas na capital, Dakar. A ONU calcula que essa mendicidade forçada movimente aproximadamente US$ 8 milhões por ano, valor que vai diretamente para os professores responsáveis pelas Daaras.
As vítimas têm entre 5 e 18 anos e convivem diariamente com fome, doenças, ausência de moradia digna e episódios recorrentes de violência.
Apesar do cenário alarmante, líderes religiosos reforçam que nem todas as Daaras praticam abusos e destacam que a exploração contradiz os princípios do islã e as tradições educacionais originais.
Chemin du Futur: uma década de Ação Humanitária no Senegal
A atuação da Chemin du Futur no Senegal teve início em 2011, quando um grupo de brasileiros participou de uma missão humanitária no país. Impactado pela situação dos Talibés, Edmilson Neto decidiu criar um espaço de acolhimento e proteção para meninos em situação de extrema vulnerabilidade.
“A nossa casa no Senegal é um abrigo para meninos de rua, a gente educa a criança, matrícula na escola pública, acompanha o rendimento dela e oferece reforço escolar de matemática e física, além do acolhimento, cuidado e carinho”
Edimilson destaca que a permanência dos meninos dentro da casa está voltada para a formação educacional. “Acompanhamos o ensino primário, médio e até a universidade. Hoje temos três meninos que foram recolhidos das ruas e hoje frequentam a Universidade. Nossa missão é acolher a criança e levá-la até os 18 anos e alguns casos continuar com eles até terminar a faculdade”.
Chemin du Futur tem capacidade para 70 crianças, hoje atende 20. Para alcançar a meta de ocupação de 100% da capacidade da casa, com dignidade há muitos desafios a serem enfrentados. “Um dos maiores desafio para alcançar os objetivos é o apadrinhamento. Conseguir padrinhos que façam a doação mensal, mesmo com valores pequenos é mais viável que grandes patrocinadores”. Outra meta é estender os braços de solidariedade no Brasil, como a realização de bazar, jantares... iniciativas que possam reverter recursos, para este Projeto que pode salvar a vida destas crianças desta tragédia no Senegal.
Agora é a vez de Toledo
Estes braços estendidos começaram por Toledo, o casal Gatti e amigos realizam no próximo sábado (9), o primeiro Bazar pelo Chemin du Futur.
Não será apenas um Bazar que fomenta a economia circular, mas aquece a nossa humanidade e ajuda os meninos do Senegal. E para dar brilho a primeira ação do voluntariado toledano, o Bazar contara com a visita do fundador do Chemin du Futur, Edmilson Neto.
Os Gatti organizam para o dia uma roda de conversa com Edmilson sobre voluntariado no Brasil e na África, e ainda, momento de troca cultura, pois o Tenente e fundador do Chemin du Futur é músico.
“Carinhosamente em nome do Chemin du Futur a gente convida as pessoas a virem no bazar, e mais do que isso, conhecerem o projeto e apadrinharem, como diz o próprio nome Chemin du Futur, ou seja, o Caminho do Futuro, depende das mãos estendidas do voluntariado. Cada um que nos lê agora é nosso convidado especial”, convida Zenaide Gatti.
BAZAR
Dia: Sábado – 9 de maio
Horário: 9h às 17h
Local: Rua Leonir Giareta,491 – Vila Becker – Toledo
O que vai encontrar:
Roupas, calçados, obras de arte
Roda de conversa, música
Amigos e solidariedade





