O convite de Grandi foi feito para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em Brasília, por contribuições permanentes do país sobre o tema. A integração terá de ser aprovada pelo governo brasileiro e ratificada em assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU). Além de Brasília, Grandi esteve no Rio Grande do Sul, em São Paulo e terminou hoje a visita no Rio de Janeiro.
“Aqui [no Brasil] encontrei uma abertura, um entusiasmo com a possibilidade de ajudar refugiados que nunca havia visto antes”, disse Grandi, que elogiou a maneira como o país tem feito a integração de refugiados à vida cotidiana, com a participação de governos locais. O diplomata elogiou ainda os programas nacionais de apoio a populações de baixa renda.
Além de repersentantes da União e de governos estaduais, Grandi se encontrou com membros de entidades civis e firmou parcerias de cooperação técnica na área de saúde, com o Hospital Sírio-Libanês, e comércio, com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, ambas em São Paulo.
No Rio Grande do Sul o encontro serviu para firmar parcerias em agricultura e combate à pobreza. O governo fluminense apresentou programas sociais de integração de comunidades carentes e de segurança pública que deverão ser testados em um campo de refugiado em Gaza.
O Brasil contribui com a agência desde 2011, quando um pacote de ajuda ao povo palestino foi aprovado, em decorrência dos ataques do Exército de Israel à Faixa de Gaza em 2009. O pacote, com recursos de R$ 25 milhões, direcionou US$ 1 milhão em 2011 e US$ 7,5 milhões em 2012. O restante da ajuda será enviado à agência em 2013.
A comunidade árabe no país é estimada entre 12 milhões a 17 milhões de pessoas, segundo o coordenador-geral de Ações Internacionais de Combate à Fome, ministro Milton Rondó Filho. No país há cerca de 200 refugiados palestinos, oriundos do Iraque, que chegaram por intermédio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), em 2007, e que não tem relação formal com a agência.
O Brasil teve contribuição histórica com a questão palestina. O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão da ONU que criou os estados de Israel e da Palestina em 1947.
Fundada em 1949, a agência atende a cerca de 5 milhões de refugiados palestinos, 1,5 milhão dos quais reside em campos de refugiados no Líbano, na Síria, Jordânia, Cisjordânia e Faixa de Gaza.
A maior preocupação hoje é com a situação dos palestinos refugiados que estão na Síria. Desde o começo dos conflitos a agência estima que ao menos 3 mil palestinos deixaram a Síria, mas há dificuldades em acompanhar as movimentações, em decorrência da falta de estabilidade no país.
Com um orçamento anual de US$ 1,2 bilhão, a agência tem tido dificuldades em manter seus programas de educação - que atendem a 500 mil jovens - e de saúde e assistência social. Grandi disse que a entidade ajusta as suas contas anualmente, com corte de gastos que vão de 10% a 20% dos recursos. O maior doador são os Estados Unidos, com US$ 239 milhões.
Da Agência Brasil
GERAL
Brasil é convidado a integrar conselho de agência da ONU para refugiados palestinos
O Brasil foi convidado para participar como membro permanente no conselho da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos informou nesta sexta-feira (17) o comissário-geral da organização, o diplomata italiano Filippo Grandi, que esteve no país nesta semana na primeira missão oficial da agência em território nacional.
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